Cerca de 570 mil receberam apoio financeiro em Moçambique em seis meses – ONU

Maputo, 05 set 2025 (Lusa) – Cerca de 570 mil pessoas afetadas por conflitos e fenómenos climáticos extremos em nove províncias moçambicanas receberam assistência em dinheiro, estimada em 10,5 milhões de dólares (nove milhões de euros) no primeiro semestre, avançou as Nações Unidas.

“Desde o início de 2025, 14 parceiros humanitários prestaram assistência em dinheiro e em vales em Moçambique, entregando um total de 10,5 milhões de dólares e chegando a 570.000 pessoas em nove províncias”, lê-se num relatório do Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA, na sigla em inglês), a que a Lusa teve hoje acesso.

De acordo com o OCHA, o apoio foi dirigido às necessidades decorrentes de secas, passagem de ciclones, além de conflitos armados no norte do país, que afeta principalmente a província de Cabo Delgado, rica em gás, que enfrenta a insurgência desde 2017.

O documento avança que, do apoio disponibilizado, 4,5 milhões de dólares (3,8 milhões de euros) foi aplicado para apoiar os afetados por conflitos, 4,1 milhões de dólares (3,5 milhões de euros) para as vítimas da seca, enquanto as alocações mais pequenas destinavam-se aos ciclones Chido, com 979 mil dólares (841,3 mil euros) e Jude, com 661 mil dólares (568 mil euros).

“Cabo Delgado recebeu o maior volume de assistência em dinheiro e vales, com 4,6 milhões de dólares [3,9 milhões de euros], seguido de Nampula, com 1,5 milhões de dólares [1,2 milhões de euros]”, refere-se.

Segundo aquela agência da ONU, fora também feitas transferências “significativas”, que variam entre 119 mil [170,9 mil euros] e 4,7 milhões de dólares [quatro milhões de euros], foram também realizadas nas províncias de Tete, Sofala, Gaza, Zambézia e Niassa.

“Os vales em papel representaram mais de metade das transferências (54%), seguidos pelos vales eletrónicos (37%) e pelo `mobile money´ (9%)”, explica, destacando “progressos notáveis” na assistência em dinheiro e em vales em Moçambique.

“As comunidades demonstram uma forte aceitação do dinheiro como modalidade de resposta, destacando um potencial substancial para a expansão. Com o reforço contínuo do envolvimento governamental e a coordenação coletiva melhorada, este potencial pode ser plenamente realizado”, acrescenta-se no documento.

Moçambique é considerado um dos países mais severamente afetados pelas alterações climáticas globais, enfrentando ciclicamente cheias e ciclones tropicais durante a época chuvosa, mas também períodos prolongados de seca severa.

A última época das chuvas, de outubro a abril, incluindo a passagem do ciclone Jude, afetou 1.023 estradas na província de Nampula, danificando sete pontes e 23 aquedutos, entre outros danos, conforme dados avançados antes pelo Governo.

Também a província de Cabo Delgado, no norte do país, rica em gás, enfrenta desde 2017 uma rebelião armada, que provocou milhares de mortos e uma crise humanitária, com mais de um milhão de pessoas deslocadas.

Só em 2024, pelo menos 349 pessoas morreram em ataques, no norte de Moçambique, a maioria reivindicados pelo grupo extremista Estado Islâmico, um aumento de 36% face ao ano anterior, segundo um estudo divulgado pelo Centro de Estudos Estratégicos de África (ACSS), uma instituição académica do Departamento de Defesa do Governo norte-americano.

LYCE // SB

Lusa/Fim