
Mocuba, Moçambique, 26 jul 2025 (Lusa) – A construção de uma ponte e de uma circular no centro de Moçambique, duas das principais obras de um projeto financiado com 500 milhões de dólares do Governo dos Estados Unidos, arranca em 2026, anunciou o Presidente moçambicano.
“Também viemos aqui a Mocuba para falar aquilo que vamos fazer. Não nos esquecemos do que prometemos aqui em Mocuba durante a campanha eleitoral. Por isso viemos aqui para afirmar: A ponte sobre o rio Licungo e a circular de Mocuba, próximo ano vai arrancar”, anunciou o chefe de Estado, Daniel Chapo, durante uma visita de três dias, que termina hoje, à província da Zambézia, centro do país.
O Millennium Challenge Account — Moçambique (MCA), com financiamento norte-americano, previa lançar no início deste ano o concurso para a construção da nova ponte sobre o rio Licungo e uma estrada circular, segundo anúncio noticiado em dezembro passado pela Lusa.
Referia que o MCA previa publicar um “Anúncio Específico de Concurso” para a empreitada e divulgar o documento do mesmo “em finais de janeiro de 2025”.
O obra envolve a construção de uma ponte de 1.800 metros de comprimento, 5.000 metros a jusante da atual travessia, bem como 16 quilómetros de nova estrada circular de acesso para ligar à Estrada N1 no atravessamento do rio Licungo, próximo de Mocuba.
“A ponte existente no rio Licungo está congestionada, excedeu a sua vida útil, e já não se adequa ao propósito. Por duas vezes já foi danificada por cheias, desde a sua construção nos anos 1940, e não existem alternativas práticas de travessia do rio Licungo para camiões pesados quando a mesma é danificada pelas cheias”, segundo o anúncio.
A província da Zambézia, a segunda mais populosa de Moçambique, conhecida pelas plantações de chá, mangais e praias azul-turquesa, vai concentrar o novo projeto de 500 milhões de dólares (cerca de 425,6 milhões de euros) da agência norte-americana Millennium Challenge Corporation (MCC), a que se soma a comparticipação do Estado moçambicano, de 37,5 milhões de dólares (31,9 milhões de euros).
O financiamento, designado de Compacto II e assinado em 20 de setembro de 2023 no Capitólio, em Washington, na presença do então chefe de Estado moçambicano, Filipe Nyusi, inclui uma nova ponte no rio Licungo e uma circular naquela província costeira do centro, atingida pelos ciclones que têm afetado Moçambique nos últimos anos.
A MCC é uma agência de apoio externo financiada pelo Governo norte-americano que garante subsídios a países em desenvolvimento, tendo o conselho de administração anunciado este compacto de financiamento, denominado Pacto de Conectividade e Resiliência Costeira de Moçambique, o segundo desde 2007.
Neste segundo compacto a aposta é melhorar as redes de transporte em áreas rurais, incentivar a agricultura comercial através de reformas políticas e fiscais e melhorar os meios de subsistência costeiros através de iniciativas de resiliência climática.
O MCC aloca 310,5 milhões de dólares (263,9 milhões de euros) para projetos de Conectividades e Transportes Rurais (CTR), incluindo a ponte sobre o rio Licungo e a construção da variante de Mocuba, obra avaliada em 201 milhões de dólares (171,1 milhões de euros).
Para a construção de estradas rurais estão previstos quase 83,5 milhões de dólares (71 milhões de euros) e para a manutenção de vias 11 milhões de dólares (9,3 milhões de euros), entre outros.
Para Reformas e Investimento em Projetos de Agricultura (PRIA) estão alocados 30 milhões de dólares (25,5 milhões de euros), metade dos quais para o pacote de reformas da tributação de Investimentos Agrícolas e a outra metade destinada à constituição da Plataforma Agregadora Comercial da Província da Zambézia.
A terceira componente, de 100 milhões de dólares (85,1 milhões de euros), visa projetos de Subsistência Costeira e Resiliência Climática (CLCR) para reforçar a produtividade “através de aumentos sustentáveis na apanha de peixe e marisco e através de atividades não extrativas”.
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