
Maputo, 19 nov 2024 (Lusa) – Os encargos da dÃvida pública de Moçambique cresceram 6,4% nos primeiros nove meses do ano, face ao mesmo perÃodo de 2023, para 42.428 milhões de meticais (628 milhões de euros), segundo dados oficiais.
De acordo com o relatório de execução orçamental até ao final do terceiro trimestre, do Ministério da Economia e Finanças, os encargos com a dÃvida, incluindo juros, representaram 78,3% do total orçamentado para 2024.
Só o pagamento de juros do endividamento interno ascendeu a mais de 29.383 milhões de meticais (435 milhões de euros), equivalentes a 78,1% do orçamento anual, uma redução de 2,3 pontos percentuais em relação ao perÃodo homólogo de 2023.
Já os juros externos atingiram uma execução superior a 10.817 milhões de meticais (160,2 milhões de euros), correspondente a uma realização de 75,7% do total orçamentado para 2024, neste caso um crescimento homólogo de 16,8%.
A Lusa noticiou este mês que o ‘stock’ da dÃvida de Moçambique atingiu no final de setembro 396.056 milhões de meticais (5,7 mil milhões de euros), mais 26% face ao final de 2023, de acordo com dados da execução orçamental.
Segundo a execução orçamental de janeiro a setembro, este ‘stock’ compara com os 313,78 mil milhões de meticais (4.516 milhões de euros) em 31 de dezembro de 2023 e resulta sobretudo de novas emissões de Bilhetes do Tesouro (BT, maturidades mais curtas) e Obrigações do Tesouro (OT, maturidades mais longas) no valor total de 209.833 milhões de meticais (3.020 milhões de euros) em nove meses.
Em contrapartida, o Estado moçambicano realizou no mesmo perÃodo amortizações à dÃvida pública interna no valor de 127.557 milhões de meticais (1.836 milhões de euros), neste caso essencialmente de BT.
“Relativamente a amortização da dÃvida interna, para além do montante referente ao pagamento das Obrigações de Tesouro e do Financiamento Bancário, foi ainda desembolsado o montante de 537,8 milhões de meticais [7,7 milhões de euros] referentes ao pagamento das dÃvidas com fornecedores de bens e serviços, dos anos anteriores, no âmbito da Reestruturação e Consolidação Fiscal”, detalha o relatório.
No final de setembro, o ‘stock’ acumulado da dÃvida pública ascendia a 1,04 biliões de meticais (15 mil milhões de euros), sendo quase 648.883 milhões de meticais (9.340 milhões de euros) de dÃvida externa, esta com uma ligeira redução face a dezembro passado.
O Fundo Monetário Internacional (FMI) assumiu em julho preocupação com a dependência de Moçambique da emissão de dÃvida pública de curto prazo, por aumentar os “riscos de financiamento” do paÃs.
“A extensa dependência da dÃvida interna de curto prazo nos últimos anos aumentou os riscos de refinanciamento para o Governo. A dÃvida interna aumentou de 19% do PIB em 2019 para um pico de cerca de 28% do PIB em 2022”, aponta o FMI no relatório da quarta avaliação ao programa de Facilidade de Crédito Alargado (ECF, na sigla em inglês), concluÃda em julho.
Embora a dÃvida de médio prazo “tenha a maior participação na dÃvida interna”, equivalente a 50% do total no ano passado, o FMI também sublinha que “a dÃvida de curto prazo aumentou de 19 para 27% da dÃvida interna total entre 2019 e 2023”.
“Num contexto de aumento das ‘yields'” da dÃvida soberana, o FMI dizia que as autoridades moçambicanas “têm-se mostrado relutantes em aceitar ‘yields’ mais elevados da dÃvida interna de longo prazo”, que se reflete “nos rácios de oferta dos leilões de Obrigações do Tesouro que caem frequentemente abaixo dos 100%, com o rácio médio para abril e maio de 2024 em 62%”.
“O spread das taxas de Bilhetes do Tesouro [maturidades mais curtas] sobre a taxa de polÃtica monetária também aumentou ao longo do último ano, passando de cerca de 50 pontos base [para prazos de um ano] no inÃcio de 2023, para mais de 200 pontos base em abril de 2024”, lê-se no relatório.
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