
Sintra, 02 jul 2024 (Lusa) – A presidente do Banco Central Europeu (BCE), Christine Lagarde, defendeu hoje, em Sintra, que existe uma preocupação com as “regras orçamentais que têm de ser respeitadas” na União Europeia (UE)
Lagarde sinalizou, no Fórum BCE, a decorrer em Sintra, que a polÃtica orçamental é importante, nomeadamente agora que já se concretizou a reforma do quadro orçamental “dentro do qual os Estados-membros têm de operar e controlar a direção da dÃvida e garantir que se mantém sustentável”.
Têm de fazê-lo “com flexibilidade, com suficiente foco na produtividade e no crescimento, com investimento que leve a estes dois”, apontou, destacando que espera que “operando dentro do quadro orçamental europeu, os paÃses olhem para as mudanças estruturais que têm de continuar a fazer para ter um conjunto de ferramentas” que permitam a melhoria da produtividade.
Assim, o BCE está “preocupado com as regras orçamentais que têm de ser respeitadas dentro da UE e as reformas estruturais que vão conduzir a uma melhoria de produtividade, que é a única forma da Europa manter-se forte e prosperar”.
Um dos paÃses com a situação orçamental mais preocupante é a França e ainda que a presidente do BCE tenha recusado comentar diretamente este caso especÃfico, admitiu que estão atentos à situação.
Christine Lagarde apontou que a instituição tem de estar atenta à estabilização dos mercados financeiros e por isso também está a seguir com atenção a situação polÃtica em França.
“O BCE tem de fazer o que tem de fazer, o nosso mandato é a estabilidade dos preços e estamos atentos a isso porque é parte do nosso trabalho”, disse, salientando que estas são as coisas que monitorizam.
Do lado dos EUA, o presidente da Reserva Federal (Fed), Jerome Powell, também presente no painel, salientou que o paÃs “está com um défice muito elevado” e que o nÃvel de dÃvida pública “não é insustentável, mas a trajetória neste momento é”.
“Devia ser um foco para a frente, pensar como voltamos a ter uma trajetória sustentável” para a dÃvida pública, alertou o presidente da Fed.
O governador do Banco Central do Brasil, Roberto Campos Neto, também alertou para os riscos da dÃvida pública elevada, apontando que o custo do serviço da dÃvida dos EUA, União Europeia e Japão está a aumentar, sendo que tal tem um efeito no mercado.
“A dÃvida global é muito alta e vai começar a tirar liquidez dos mercados”, apontou, destacando que os “paÃses de baixo rendimento já estão a sentir isto”.
Para o responsável, existem várias “contas para pagar no futuro”, como o “custo da transição verde, o custo da fragmentação, o custo da pandemia nos paÃses de baixo rendimento e também a energia e inovação”, pelo que é importante pensar como conseguir uma “trajetória estável da dÃvida”.
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