Remembrance Day: Ex-combatentes luso-canadianos realizam cerimónia

FOTO: VETERANS AFFAIRS CANADA TWITTER
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Como acontece tradicionalmente em novembro, os ex-combatentes luso-canadianos fizeram suas homenagem para assinalar o Remembrance Day em Oakville. Bosco da Costa esteve no evento, vamos ver!

Um dia de saudade e demonstração de respeito. Ex-combatentes luso-canadianos realizaram cerimónia em comemoração ao Remembrance Day, o dia da lembrança, data reservada para recordar os sacrifícios dos membros das forças armadas e civis em tempos de guerra. Na Commonwealth é celebrado geralmente no dia 11 de novembro, dia em que terminaram os confrontos da Primeira Guerra Mundial.

Um dos símbolos é a flor de papoila, emblema da lembrança dos que perderam a vida em guerras. O uso da papoila remonta à primeira guerra, quando o coronel canadiano John McCrae escreveu um poema em que relatava que várias papoilas haviam crescido onde os corpos dos soldados haviam sido enterrados.

Na cerimónia luso-canadiana em Oakville, vário ex-combatentes marcaram presença para lembrar amigos perdidos nos campos de batalha. No cemitério Glen Oaks, os veteranos se reuniram em frente a um monumento dedicado aos militares mortos.

As homenagens tiveram início com içamento das bandeiras do Canadá e Portugal.

De mãos dadas, os ex-combatentes rezaram pelos amigos perdidos.

Em respeito, foi feito um minuto de silêncio.

Os militares serviram na Guerra Colonial portuguesa. Conflito armado que ocorreu entre 1961 e 1974 entre Portugal e suas colónias da África: Angola, Guiné-Bissau e Moçambique. Portugal, à época, vivia sob a ditadura do Estado Novo, comandado com mãos de ferro pelo ditador António de Oliveira Salazar. O regime de Salazar não reconhecia a existência de um conflito armado na África, considerando os levantamentos armados dos movimentos de libertação como atos de terrorismo. Estima-se que cerca de 50 mil pessoas perderam a vida durante os catorze anos de guerra na África.

Bento São José é veterano da guerra de Angola. No conflito, Bento ficou entre a vida e a morte.

Bento lembra no dia de hoje, com muita saudade, do seu capitão.

Manuel Cunha serviu em Moçambique. Até hoje as lembranças da guerra estão vivas em sua memória.

Santos Pereira serviu em Guiné-Bissau. Lembra até hoje de um dia trágico em que perdeu de uma só vez, dezenas de companheiros.

Para Pereira, a guerra colonial poderia ter sido evitada.

O presidente do núcleo de ex-combatentes portugueses de Ontário, ressalta a importância do não esquecimento do sacrifício dos militares luso-canadianos.

Para o vice-presidente, não se pode esquecer do serviço que os soldados prestaram para Portugal.

O fim da guerra colonial na África culminou com a independência das ex-colónias portuguesas e também teve repercussões em Portugal. Com apoio massivo da população civil portuguesa, Capitães da guerra colonial lideraram um golpe de Estado militar em Portugal, a Revolução dos Cravos. Em 25 de Abril de 1974, foi derrubada a ditadura do Estado Novo, abrindo caminho para a democracia em solo português.