
O Governo do Canadá congelou a compra e venda de armas para deixar população “a salvo”. A medida que agora entra em vigor antecede um pacote legislativo histórico de controlo de armamento no país.
Um decreto que paralisa a compra, venda e transferências de armas no Canadá entrou em vigor na sexta-feira, dia 21 de outubro. O anúncio foi feito pelo primeiro-ministro, Justin Trudeau.
O texto afirma que as normas bloqueiam também a importação de novos revólveres, mas que requerimentos submetidos antes da sua publicação serão processados normalmente.
A medida antecede um pacote de leis que pretende implementar o maior controlo de armas no país de quatro décadas, no contexto de um “amplo plano estatal para responder à violência armada”.
De acordo com o Governo federal, o objetivo do decreto agora aprovado é “manter os canadianos a salvo”, enquanto a legislação é debatida no Parlamento.
A medida já tinha sido anunciada em maio, uma semana depois do massacre que fez 21 mortos numa escola nos Estados Unidos. O ataque em Uvalde, cidade no sul do Texas, foi o pior de 10 anos numa instituição de ensino infantil norte-americana.
Depois disso, em julho, o próprio Canadá foi palco de um tiroteio que deixou dois mortos e o mesmo número de feridos na cidade de Langley, na área metropolitana de Vancouver.
“É nosso dever agir com urgência para remover estas armas mortais das nossas comunidades”, afirma Justin Trudeau, citando em especial o aumento do uso de revólveres na violência armada. O revólver foi utilizado na maioria dos crimes violentos com armas de fogo entre 2009 e 2020.
Com uma legislação mais restritiva que a dos Estados Unidos, o Canadá tem uma taxa de homicídios por armas de fogo que corresponde a menos de um quinto da do vizinho. Mas o índice é maior do que o de outros países ricos e tem vindo a aumentar. Em 2020, por exemplo, foi cinco vezes mais alto do que na Austrália.
Segundo a Statistics Canada, o número de crimes violentos com armas de fogo no Canadá correspondeu a menos de 3% do total. Mas desde 2009, a taxa per capita de armas apontadas para alguém quase triplicou e o índice de disparos com intenção de matar ou ferir quintuplicou.



