Reassentamento afegão: Canadá a menos de metade do objetivo proposto há um ano

Foto: Pexels
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Um ano após a tomada do controlo de Cabul pelo governo Talibã, os esforços do reassentamento afegão no Canadá ficaram aquém dos objetivos oficiais e dos esforços para ajudar.

Ativistas e parlamentares canadianos acusam o governo liberal de não fazer o suficiente para ajudar as pessoas que trabalharam com as forças canadianas no país.

O Canadá não chegou a atingir a metade do objetivo proposto para o reassentamento afegão, um ano após a tomada de posse do governo pelos Talibãs no Afeganistão.

Depois dos Talibãs assumirem o controle de Cabul, os esforços despendidos pelo Canadá ficaram distantes das metas oficiais para ajudar aqueles que trabalharam com o governo canadiano no país, inclusive como intérpretes.

Segundo estatísticas do governo, cerca de 17.300 afegãos chegaram ao Canadá desde agosto do ano passado, em comparação com 71.800 ucranianos chegados ao país só em 2022. No entanto, o governo federal prometeu reassentar 40.000 afegãos.

Os ativistas e parlamentares canadianos acusam o governo liberal de não fazer o suficiente, já que muitas famílias vivem ocultas enquanto aguardam a aprovação dos seus pedidos de imigração, bem como outros que sendo requerentes, estão a sofrer a separação de seus filhos e cônjuges que ficaram no país.

A deputada democrata Jenny Kwan, que esteve em contacto com muitos refugiados afegãos que trabalharam com as forças canadianas, disse que há uma “diferença gritante” entre o tratamento do governo para aqueles que fogem dos Talibãs e aqueles que fogem da invasão russa, considerando a grave situação dos afegãos que se encontram incapazes de escapar do país.

Kwan acrescenta ainda que muitos, após terem efetuado os seus pedidos, apenas receberam uma resposta automática, do departamento de imigração. Já outros, buscaram vistos das autoridades talibãs para escapar ao seu regime, correndo perigo se se identificarem.

As advertências surgiram quando as agências de ajuda humanitária que trabalham no Afeganistão alertaram que o país está a atravessar uma crise humanitária, com 18,9 milhões de pessoas a enfrentar a fome aguda, e desnutrição, inclusive crianças.

Vincent Hughes, porta-voz do ministro da Imigração, Sean Fraser, explicou que os programas de imigração afegãos e ucranianos são muito diferentes, já que os primeiros têm direito a ficar no país permanentemente, enquanto muitos dos ucranianos pretendem, eventualmente, regressar à Ucrânia. Afirmou ainda que retirar as pessoas do Afeganistão foi um grande desafio, acrescentou, já que o Canadá não tem presença diplomática no país e não reconhece o governo dos talibãs.

“O nosso compromisso de trazer pelo menos 40.000 afegãos vulneráveis para o Canadá não vacilou e continua a ser um dos maiores programas do mundo”, disse ele, acrescentando que a situação no Afeganistão é única, devido aos desafios nunca antes presentes em outras iniciativas de reassentamento em grande escala.