Cancro da mama: Cientistas de Montreal podem ter descoberto terapia

Foto: Anna Tarazevich/Pexels
Foto: Anna Tarazevich/Pexels

Uma investigação científica feita na cidade de Montreal, na província do Quebec, pode ter encontrado um tratamento eficaz para um tipo de cancro da mama agressivo. A descoberta está a dar esperanças a quem é afetado pela doença prolongada.

Uma terapia promissora para um tumor conhecido como cancro da mama triplo negativo terá sido descoberta recentemente por um grupo de investigadores do Instituto de Pesquisa do Centro de Saúde da Universidade McGill, em Montreal.

Ao avaliar os mecanismos genéticos da doença agressiva, o grupo de cientistas da província do Quebec conseguiu identificar que grupo de genes desempenha um papel na progressão do tumor, que pode levar ao tratamento eficaz da doença prolongada.

Segundo a imprensa canadiana, a equipa concentrou-se no cancro de mama triplo negativo – conhecido também pela sigla TNBC – para abordar o que consideram ser uma lacuna na medicina oncológica.

De acordo com o grupo de Montreal, “não há terapias direcionadas eficientes” e os únicos recursos disponíveis para o tratamento da doença são “geralmente a quimioterapia e a radioterapia”.

O TNBC não expressa nenhuma das três proteínas normalmente encontradas em células de cancro de mama, o que significa que as células são negativas em todos os três testes, dando origem ao ‘triplo negativo’ no nome.

E embora o cancro da mama triplo negativo não seja tão comum – representando apenas 15 a 20% de todos os cancros da mama – os investigadores dizem que é de longe o mais mortal, respondendo por metade das mortes.

E mudar esses resultados foi a motivação para a equipa a assumir a pesquisa, com uma abordagem diferente, de uma terapia promissora para o TNBC.

Essa nova abordagem levou o grupo de cientistas a rastrear todo o genoma humano, ou seja, cerca de 20 mil genes – um processo bastante meticuloso.

Além disso, a equipa avaliou cerca de 10 medicamentos diferentes para atingir os genes que mais estavam interessados em trabalhar, sendo a Verteporfina – um medicamento usado na oftalmologia – um dos dois grandes destaques para o sucesso dessa prova.

Maior surpresa foi ao descobrirem que, quando combinados, ambos os medicamentos destacados tiveram um efeito muito maior do que o previsto, com uma taxa de 80% de inibição no crescimento do tumor.

Agora, os esforços estão postos no começo dos ensaios clínicos da Fase 1, mas a equipa frisa que há muitos obstáculos ainda a serem superados. Entre eles, a configuração dos testes, o trabalho administrativo e a aprovação ética.

No entanto, a grande dificuldade vai para o financiamento do projeto, que irá necessitar de vários milhões de dólares para começar. E isso não inclui o custo dos medicamentos em si, alguns dos quais, como a Verteporfina, podem ser extremamente caros de produzir.

Enquanto essas discussões estão em andamento, o próximo passo, segundo os investigadores, é apontar uma data para o estudo começar e os pacientes poderem começar a se inscrever.