Síndrome pós-Covid: Pelo menos 30 mil canadianos têm sintomas persistentes

Foto: University of Toronto
Foto: University of Toronto

Pelo menos 30 mil canadianos têm sintomas persistentes de Covid-19, número que poderá ser ainda maior. O alerta é de especialistas, que acham que é preciso fazer mais para ajudar os doentes com o chamado síndrome pós-Covid.

Dois anos depois do início da pandemia, os canadianos com síndrome pós-Covid dizem-se frustrados com os efeitos a longo prazo do vírus.

Os especialistas, por sua vez, consideram que o Canadá não dispõe de um sistema centralizado de recolha de dados que ajude a estudar e a tratar a doença.

É o caso de Angela Cheung. A cientista da University Health Network em Toronto acha que muitos pacientes com sintomas persistentes de Covid-19 “não se sentem ouvidos”.

Cheung defende a criação de clínicas especializadas financiadas pelo Governo, que prestem atendimento e realizem pesquisas sobre a síndrome pós-Covid.

De acordo com estimativas do Partido Conservador, 30 mil canadianos sofrem atualmente da patologia. Um número baseado nas estimativas da Organização Mundial da Saúde, que diz que pelo menos 10% dos infetados experienciam sintomas persistentes.

A verdadeira percentagem pode ir até aos 50%, esclarece Cheung. Há também quem recupere do problema, o que torna a contagem inexata.

Embora os sintomas persistentes de Covid-19 não tenham mudado ao longo do tempo – incluindo fadiga, falta de ar, frequência cardíaca anormal, confusão mental e distúrbios do sono – a vacinação ajuda a prevenir a doença.

Os tratamentos que podem ajudar dependem dos sintomas, passando por corticoides e sprays nasais para quem tem pingo no nariz, congestão e tosse.

A fundadaora do COVID Long-Haulers Support Group Canada, um grupo do Facebook com mais de 15 mil membros, apela a um maior reconhecimento da síndrome e do seu impacto.

Susie Goulding diz que “os canadianos que sofrem de Covid há 10 anos não podem sofrer durante 10 anos e esperar que a ciência os alcance”. “Precisam de sistemas de suporte agora.”