
As lesões cerebrais são endémicas entre os sem-abrigo. A conclusão é de um estudo conduzido em Vancouver, que alerta para a prevalência de doenças mentais e para o consumo de substâncias entre esta população.
A lesão cerebral traumática é tão comum entre os sem-abrigo que a prevenção deve ser priorizada para pessoas que enfrentam vários desafios e piores resultados em comparação com “populações abastadas”. É o que consta de um estudo de Vancouver, que monitorizou os sintomas dos participantes todos os meses durante um ano.
De acordo com a análise, as taxas de lesão cerebral são endémicas entre os sem-abrigo. Com efeito, os profissionais de saúde e prestadores de serviços precisam de formação padronizada para rastrear sintomas de lesões leves envolvendo pessoas que muitas vezes enfrentam doenças mentais e deficiências cognitivas.
Além disso, o estudo adianta que “o uso de substâncias é bastante onipresente”. Quase todas as pessoas nesta população relatam consumir álcool ou drogas. Doenças mentais graves são muito comuns, à semelhança de doenças neurológicas.
O estudo, publicado na revista EClinicalMedicine-Lancet, englobou 326 participantes oriundos do Downtown Eastside de Vancouver, de um tribunal comunitário e do departamento de emergência de um hospital.
Os investigadores descobriram que 31% dos entrevistados, entre dezembro de 2016 e maio de 2018, relataram pelo menos uma lesão cerebral traumática durante esse período.
Quase 10% das lesões cerebrais estavam relacionadas com o uso de substâncias, entre pessoas que poderiam ter caído e batido com a cabeça ou sido agredidas.
Mais de metade dos participantes relatou um histórico de lesão cerebral, a par de deficiências físicas e falta de recursos para se recuperar adequadamente.
As quedas foram responsáveis por 45% das lesões cerebrais, principalmente entre as mulheres sem-abrigo, seguidas por agressões, que culminaram em 25% das lesões, especialmente entre os homens.
