
O Governo do Quebec anunciou que vai cobrar um imposto aos cidadãos que se recusarem a receber a primeira dose contra a Covid-19 por razões não médicas nas próximas semanas. Uma decisão que está a gerar alguma preocupação entre quem defende a liberdade dos cidadãos sobre a própria condição física e decisões médicas. Ainda assim, o anúncio do premier François Legault resultou em mais de 7 mil inscrições para a toma da primeira dose da vacina da Covid-19.
É uma grande cadeia de eventos que está a dar que falar na província do Quebec. O premier, François Legault, anunciou na última terça-feira que as autoridades provinciais vão cobrar um imposto de saúde aos quebequenses que se recusarem a receber a primeira dose de uma vacina contra a Covid-19 nas próximas semanas.
Classificando a taxa como uma “contribuição de saúde”, Legault não disse quando o pagamento entraria em vigor ou quanto custaria, mas adiantou que queria que fosse significativo o suficiente para atuar como um incentivo para se ser vacinado.
E, na verdade, parece que resultou. Após o anúncio do premier, mais de 7 mil pessoas registaram-se para receber a primeira dose da vacina e cerca de 5 mil consultas também foram feitas na segunda-feira.
O ministro da Saúde do Quebec, Christian Dubé informou que as consultas foram feitas em todas as faixas etárias e que mais de 100 mil doses de vacinas Covid-19 foram administradas somente na terça-feira.
O premier Legault acrescentou que a contribuição poderia ser incluída nas declarações de impostos provinciais, mas não disse se estaria nas de 2021, que devem ser apresentadas até 30 de abril de 2022.
No entanto, este plano sem precedentes do Quebec está a ser bastante criticado.
A Associação Canadiana de Liberdades Civis diz que o plano tributário é profundamente preocupante, frisando que a Carta de Direitos e Liberdades reconhece a autonomia individual sobre a própria condição física e decisões médicas.
Segundo a associação, a penalidade fiscal é uma medida divisória que acabará por punir e alienar aqueles que mais precisam de apoio e serviços de saúde pública.
Legault, por outro lado, diz que os não vacinados terão uma conta a pagar “porque há consequências na rede de saúde” do Quebec e “não cabe a todos os quebequenses pagarem por isso”.



