Alterações climáticas: Relatório aborda riscos de saúde pública no Canadá

FOTO: Unsplash
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Além da ameaça ambiental, as alterações climáticas estão a colocar em risco a saúde pública no Canadá de uma forma que terá custos humanos e financeiros significativos. A garantia está exposta no relatório feito pelo Instituto Canadiano de Escolhas Climáticas.

Estima-se que o impacto das alterações climáticas na saúde dos canadianos vai custar centenas de mil milhões de dólares. Tudo isto acontece numa altura em que aumentam drasticamente as hospitalizações e mortes prematuras devido ao clima. O relatório foi divulgado na quarta-feira pelo Instituto Canadiano de Escolhas Climáticas.

Um estudo em 2016 descobriu que a lacuna no risco de morte prematura numa mulher canadiana pobre e numa mulher canadiana rica aumentou em 40% nos 25 anos anteriores.

Prevê-se que as consequências de um mundo em aquecimento afetem a saúde humana de várias maneiras, desde um aumento nas doenças de origem alimentar até temporadas de alergia mais longas e graves. O relatório do Instituto aborda três ameaças específicas: temperaturas mais altas, degradação da qualidade do ar e aumento da prevalência da doença de Lyme.

Sobre a doença de Lyme, os cientistas já estão a alertar sobre um número crescente de casos, que dizem ser causados por invernos mais quentes, tornando mais fácil para os carrapatos transmissores de doenças sobreviverem em áreas urbanas.

A Health Canada relatou mais de 2500 (GRAFISMO – 2.636) casos da doença, em 2019, ou seja, 11 vezes superior ao número registado em 2009. O relatório projeta que o número vai aumentar para 8500 casos por ano até 2050, com custos anuais associados ao sistema de saúde de 3 milhões de dólares.

Embora o número pareça relativamente pequeno, o relatório calcula que o impacto geral das mudanças climáticas na saúde seja muito maior.

Os custos diretos para o sistema de saúde vão ser na ordem de mil milhões, com o prejuízo económico a atingir dezenas de mil milhões. Mortes prematuras, impactos na saúde mental e golpes na qualidade de vida dos canadianos vão elevar o preço ainda mais.

No pior dos cenários, estima-se que a perda de produtividade vai custar à economia do Canadá cerca de 15 mil milhões de dólares por ano até ao final do século, com o aumento de dias de calor extremo durante o verão.

No melhor cenário, o relatório estima que as taxas de hospitalização relacionadas com o calor vão ser o dobro até ao ano 2100.

O diretor executivo da Associação Canadiana de Saúde Pública diz que o relatório mostra que o esforço do Governo federal para alcançar emissões líquidas zero até 2050, permite trazer benefícios de saúde para os canadianos.