
Madrid, 26 mai 2021 (Lusa) — Real Madrid, FC Barcelona e Juventus manifestaram hoje o seu “mais absoluto repúdio” pelo facto da UEFA lhes ter aberto um processo disciplinar pelo seu papel na criação da Superliga, à revelia do organismo que dirige o futebol europeu.
“FC Barcelona, Juventus e Real Madrid, clubes centenários, não cederão a qualquer tipo de coerção ou pressão intolerável e continuarão a mostrar a sua firme vontade de debater, a partir do diálogo e do respeito, as soluções urgentes que o mundo do futebol hoje exige. Ou modernizamos o futebol ou testemunharemos a sua inevitável ruÃna”, dizem os clubes, em nota conjunta.
Terça-feira a UEFA anunciou que vai mesmo avançar com processos disciplinares depois de há duas semanas ter sido iniciada uma investigação conduzida por inspetores do seu comité de Ética e Disciplina, que acabou por concluir pela abertura do processo, por “potencial violação do quadro jurÃdico” do futebol europeu.
O trio resistente dos 12 que inicialmente anunciaram a competição, sendo que em horas os outros nove abandonaram o projeto, acusam a UEFA de “insistente coação contra três das maiores instituições da história do futebol”.
Na nota culpam o organismo que dirige o futebol europeu de “flagrante incumprimento” das decisões dos tribunais, “que já se pronunciaram claramente, advertindo para que se abstenha de realizar qualquer ação contra os clubes fundadores da Superliga enquanto o processo judicial estiver em curso”.
Nesse sentido, os dois clubes espanhóis e o italiano entendem que este procedimento disciplinar é “totalmente incompreensÃvel e atenta diretamente contra o Estado de direito que democraticamente foi constituÃdo pelos cidadãos da União Europeia”.
Este grupo insiste que a sua iniciativa, que não mereceu apoio de qualquer entidade e foi muito criticada pela generalidade dos adeptos da modalidade, pelos restantes clubes e poder polÃtico, teve o propósito de “melhorar a situação do futebol europeu”, aumentando o interesse pelo desporto e proporcionar “o melhor espetáculo possÃvel”.
“Tudo isto, num quadro de sustentabilidade e solidariedade, sobretudo numa situação económica de máximo risco como a que vive grande parte dos clubes europeus”, conclui o trio, apesar do projeto não prever qualquer mecanismo de ajuda à s equipas fora do grupo de elite que pretendiam criar.
Os outros nove clubes, nomeadamente os ingleses do Manchester City, Liverpool, Chelsea, Manchester United, Tottenham e Arsenal, os italianos do AC Milan e Inter de Milão e os espanhóis do Atlético de Madrid desistiram do projeto em poucas horas.
Uma medida que ainda assim não evitou que fossem ‘repreendidos’ pela UEFA, com os clubes a aceitarem uma série de “medidas de reintegração”, incluindo renunciar a 5% do rendimento proveniente de uma época nas competições europeias.
Paralelamente, os clubes desistentes vão doar, em conjunto, um total de 15 milhões de euros a “comunidades locais” do futebol europeu.
“Ao aceitar os seus compromissos e a sua vontade de reparar a perturbação que causaram, a UEFA quer deixar este capÃtulo para trás e avançar com um espÃrito positivo”, afirmou então o presidente da UEFA, Aleksander Ceferin, em comunicado.
Da mesma forma, o dirigente reconheceu que “o mesmo não pode ser dito dos (três) clubes [Real Madrid, FC Barcelona e Juventus] que continuam envolvidos na chamada Superliga”, casos que, vincou então, “a UEFA tratará em conformidade”.
RBA (RPM) // AJO
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