
Leiria, 24 mai 2021 (Lusa) — O comandante dos Bombeiros Voluntários de Pedrógão Grande afirmou hoje, à saÃda da primeira sessão do julgamento, que o incêndio de 17 de junho de 2017 “irá perdurar” para sempre, garantindo que deu o seu melhor.
Augusto Arnaut quis deixar uma declaração à s famÃlias e amigos das vÃtimas do incêndio de Pedrógão Grande durante o julgamento, mas a juiz-presidente considerou que o seu “estado de alma” não era para ser proferido na audiência.
“Só queria dizer que aquele dia 17 de junho de 2017 irá perdurar para o resto da minha vida. Infelizmente, as vÃtimas já não se encontram connosco, mas queria dizer aos familiares e amigos que lamento muito o que o incêndio provocou. Tenho 35 anos de bombeiro, nos quais 20 de comando. Dei o meu melhor. Todos os bombeiros que estiveram comigo nessa ocorrência deram o seu melhor. Sou bombeiro por opção e o meu lema foi sempre salvar vidas e bens”, disse aos jornalistas visivelmente emocionado, à saÃda do Tribunal Judicial de Leiria.
Filomena Girão, advogada de Augusto Arnaut, acrescentou que o comandante “entendeu que esta comunicação era devida à s famÃlias das vÃtimas”.
“É uma declaração que todos subscrevemos, ainda que da parte do senhor comandante tenha este peso, de quem esteve lá, de quem teve a coragem de estar, e continua a ter a coragem de estar sempre que é chamado, a defender quem precisa, mesmo quando os meios não são os suficientes”, sublinhou.
A advogada esclareceu que esta é uma “declaração de estado de alma” e não uma assunção de culpa. “O senhor comandante lamenta profundamente o que aconteceu ainda que esteja absolutamente certo de ter feito tudo o que podia, com os meios que tinha. Não era possÃvel fazer melhor. O comandante Arnaut e todos os bombeiros que estiveram naquele dia [incêndio] fizeram milagres com os poucos meios que tinham”, frisou Filomena Girão.
Augusto Arnaut responde por 63 crimes de homicÃdio e 44 de ofensa à integridade fÃsica, 12 dos quais graves, todos por negligência.
O julgamento dos 11 arguidos para determinar responsabilidades criminais nos incêndios de Pedrógão Grande, em junho de 2017, nos quais o Ministério Público (MP) contabilizou 63 mortos e 44 feridos quiseram procedimento criminal, começou hoje no Tribunal Judicial de Leiria.
O MP, secundado pelo juiz de instrução, atribui a Augusto Arnaut, enquanto comandante das operações de socorro, responsabilidades pelo atraso na montagem do posto de comando operacional, por não ter pedido mais meios ou por não ter informado cabalmente o Comando Distrital de Operações de Socorro de Leiria sobre a evolução do incêndio.
O MP relata que na tarde de dia 17 de junho de 2017 registaram-se dois incêndios no concelho de Pedrógão Grande, que acabaram por se unificar ao final do dia, num processo designado de “encontro de frentes”, que conduz a um mecanismo de comportamento “extremo de fogo”.
O incêndio foi considerado extinto cinco dias depois, em 22 de junho. A área ardida foi de 24.164,6 hectares, abrangendo, além Pedrógão Grande, Figueiró dos Vinhos e Castanheira de Pera, Alvaiázere e Ansião, todos no distrito de Leiria.
Os prejuÃzos apontados pelo Ministério Publico são de “pelo menos 90.325.487,84 euros”.
EYC/SR // JEF
Lusa/FimÂ



