
Lisboa, 04 mar (Lusa) – O empresário e comendador Rui Nabeiro, cujo grupo compra grande parte do café angolano, defendeu hoje que o Presidente português vai trazer “mais-valias” da visita que realiza a Angola a partir de 05 de março.
“O Presidente, porque é uma pessoa que onde vai, sabe estar, vai lá e traz mais-valias (…) Não tenho dúvidas”, disse, em entrevista à Lusa, o fundador do grupo Nabeiro, que detém a marca Delta, em Portugal, e a Angonabeiro, em Angola.
Com negócios em Angola desde o perÃodo anterior à independência, e que ainda hoje se mantêm, Rui Nabeiro não se alonga em comentários sobre as relações entre Portugal e Angola. Contudo, disse ter boas perspetivas face à visita do Presidente português, que além de Luanda passará pelas provÃncias de Benguela e da HuÃla.
“Penso que hoje as relações estão melhores, mas isso os polÃticos é que sabem. Eu sou um polÃtico muito tranquilo, porque por mim estava tudo bem. Mas no mundo da polÃtica, à s vezes, com razão, mas à s vezes também com emoção, as coisas não são como nós queremos”, refere, cauteloso.
Porém, aposta que “as coisas vão correr de forma normalÃssima”, até porque, diz, Angola e Portugal têm a mesma lÃngua, além de cultura e hábitos semelhantes.
“É uma missão para o nosso Presidente”, conclui, admitindo que tem uma boa perspetiva relativamente à visita e já depois de o primeiro-ministro António Costa ter descerrado, em setembro, uma placa na unidade da Angonabeiro em Cacuaco, arredores de Luanda.
A visita de António Costa a Luanda representou, então, o normalizar das relações entre os dois paÃses após o processo em Portugal envolvendo Manuel Vicente, ex-vice-presidente da República.
O empresário, com 86 anos, já antes da independência comprava café em Angola. Poucos meses após a independência, proclamada em 1975, Rui Nabeiro partiu para o mercado angolano para comprar milhares de sacos de café e vender em Portugal e em Espanha, tendo adquirido, anos mais tarde, uma unidade de cafés solúveis no Cacuaco, onde atualmente produz o “Café Ginga”, marca angolana.
De acordo com informação disponibilizada anteriormente pela empresa do grupo português Delta, a Angonabeiro presta um “apoio permanente” aos produtores de café do paÃs e garante a “compra de toda a sua produção”, negócio do qual dependem hoje “mais de 20.000 famÃlias”.
Angola já foi o quarto maior produtor mundial de café, com 200 mil toneladas anuais, antes de 1975. Essa produção está hoje reduzida a menos de 5%, fruto do abandono do cultivo durante a guerra civil angolana que se seguiu à independência.
As empresas do setor estimam que o paÃs produz atualmente cerca de 3.000 toneladas de café – embora números oficiais apontem para 15.000 – e só a Angonabeiro comprou em 2014, a cerca de 20.000 produtores de várias provÃncias angolanas, 800 toneladas, o maior registo até então. No ano anterior conseguiu adquirir 600 toneladas e em 2012 apenas 500.
O Presidente português chega a Luanda na terça-feira para uma visita de quatro dias a Angola, onde irá estar na capital e nas provÃncias de Benguela e HuÃla.
Marcelo Rebelo de Sousa estará acompanhado pelos ministros dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva, Adjunto e da Economia, Pedro Siza Vieira, e da Agricultura, Florestas e Desenvolvimento Rural, LuÃs Capoulas Santos, bem como pela secretária de Estado dos Negócios Estrangeiros e da Cooperação, Teresa Ribeiro, e por uma delegação parlamentar.
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