
São Paulo, Brasil, 29 ago (Lusa) – O Alto Comissário da ONU para os Direitos Humanos, Zeid Reid al-Hussein, disse hoje em Genebra que o discurso adotado pelo candidato à Presidência do Brasil Jair Bolsonaro representa um “perigo” para a população brasileira.
A afirmação foi feita em resposta a uma pergunta feita pelo correspondente em Genebra do jornal O Estado de S.Paulo, e al-Hussein considerou explicou que no curto prazo o discurso de Bolsonaro é um “perigo” para certas parcelas da população do Brasil e tem potencial para se tornar igualmente um perigo para “o paÃs todo” no longo prazo.
Zeid Reida al-Hussein falava numa conferência de imprensa em Genebra, de apresentação do balanço do seu mandato de quatro anos à frente da agência da ONU para os Direitos Humanos.
Al-Hussein, cujo mandato no cargo termina dia 31 de agosto, referiu-se as constantes declarações de Bolsonaro contra o respeito aos direitos humanos no paÃs, e considerou que a popularidade dos discursos contra os direitos humanos, defendido pelo candidato são uma resposta à s incertezas mundiais.
“Quando as pessoas estão ansiosas, quando existem incertezas económicas, globais ou não, por conta da crise nas matérias-primas nos últimos anos, ao dar uma resposta simplista e tocando nas emoções naturais das pessoas – e talvez olhando para uma liderança mais forte, firme – é uma combinação bastante poderosa”, disse.
Bolsonaro, segundo colocado nas sondagens de intenção de voto para as eleições de outubro no Brasil, chegou a afirmar na semana passada que se for eleito Presidente pretende retirar o paÃs do Conselho de Direitos Humanos da ONU.
Além de comentar a ascensão deste candidato conservador entre o eleitorado brasileiro, Al-Hussein foi questionado sobre o possÃvel corte de financiamento dos Estados Unidos à organização.
“O Alto Comissariado continuará a sobreviver”, afirmou, salientando também que “o que não se quer ver é uma série de retiradas e retiradas de fundos”.
Os Estados Unidos são o maior doador da ONU, garantindo cerca de 22% do orçamento da organização.
Zeid Reid al-Hussein também aproveitou a conferência de imprensa para pedir que a rede social Facebook seja mais “proativa” contra a propagação de discursos de ódio e disse estar preocupado com o facto do Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ter acusado o Google, Facebook e Twitter de falta de imparcialidade para com ele.
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