
Lisboa, 02 mar (Lusa) — O antigo Presidente de Cabo Verde Pedro Pires (2001/11) pediu hoje à CPLP que apoie projetos que visam a preservação da memória histórica dos paÃses africanos lusófonos, nomeadamente à Fundação AmÃlcar Cabral (FAC), a que preside.
Pedro Pires, em visita a Portugal, falava à agência Lusa após uma reunião de trabalho de cerca de uma hora com a secretária-executiva da Comunidade dos PaÃses de LÃngua Portuguesa (CPLP), Maria do Carmo Silveira, que, também à Lusa, considerou a ideia extraordinária e garantiu o apoio à iniciativa.
“Discutimos coisas ligadas à memória, à História, ver o que podemos fazer conjuntamente e em que é que a CPLP poderá ser útil nesta matéria. Ver as possibilidades de colaboração e do eventual apoio da CPLP à s iniciativas da fundação”, salientou Pedro Pires, o promotor da instituição, criada em 2012.
Instado a ser mais concreto, Pedro Pires, que também foi primeiro-ministro cabo-verdiano entre 1975 e 1991 e recebeu o Prémio Mo Ibrahim de boa governação em 2011, limitou-se a responder: “a memória, as memórias”.
Também à Lusa, Maria do Carmo Silveira especificou o pedido de Pedro Pires, salientando que o presidente da FAC trouxe “algumas ideias que parecem extraordinariamente importantes” para a criação de uma memória em torno de algumas personalidades da CPLP e, no caso concreto, de AmÃlcar Cabral.
“Solicitou o apoio da CPLP para a candidatura da inscrição das memórias de AmÃlcar Cabral num programa mundial de preservação as memórias da UNESCO. É uma ideia extraordinária que a CPLP deve abraçar e vamos ajudar a seguir os procedimentos normais para o efeito”, afirmou.
Maria do Carmo Silveira destacou que a organização lusófona já ajudou, no passado, na promoção de projetos com caracterÃsticas semelhantes, destacando o caso da candidatura de Mbanza Congo (Angola) a Património Mundial.
A responsável da CPLP lembrou a importância da ideia de Pedro Pires, que abre muitas portas também para a criação de “memórias cruzadas” da comunidade lusófona, dando como exemplos o antigo Campo de Contração do Tarrafal de Santiago (Cabo Verde) e as roças em São Tomé e PrÃncipe.
“É o caso do Tarrafal, que foi um ponto de encontro de personalidades de vários paÃses da CPLP [nacionalistas angolanos, cabo-verdianos e guineenses] que aà estiveram detidos muito tempo [1961/1974]. Falamos também das roças de São Tomé [e PrÃncipe], que são também um ponto de encontro das histórias dos nossos paÃses”, disse.
“As roças foram propriedades de portugueses, geridas por portugueses, seguindo os modelos das fazendas brasileiras, para onde iam trabalhar «contratados» vindos de Cabo Verde, Angola e Moçambique. A história dos nossos paÃses cruza-se também aÔ, realçou Maria do Carmo Silveira.
A secretária-executiva da CPLP adiantou que estes exemplos são apenas dois dos muitos que têm de ser divulgados, sobretudo junto das novas gerações.
“A preocupação é com a preservação da memória. São ideias fabulosas que certamente a CPLP irá abraçar”, concluiu.
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