
Porto, 17 (Lusa) — Uma pequena brigada da Unidade Territorial do Norte da PolÃcia Judiciária apreendeu um total de 427 obras de arte nos últimos quatro anos, destacando-se moedas romanas do tempo de Jesus Cristo e pinturas falsas de Almada Negreiros.
Só este ano de 2017 apreenderam-se “126 pinturas falsas e 19 objetos arqueológicos”, informou o coordenador da secção que investiga os crimes de Incêndio, Tráfico e Viciação de veÃculos e o Furto e Falsificação de Obras de Arte (SICPVS).
Entre 2013 e 2017, a brigada da PolÃcia Judiciária do Norte apreendeu 427 obras de arte, entre arte militária, arte sacra, esculturas e objetos arqueológicos, e pinturas de diversos artistas, designadamente obras falsas de Almada Negreiros e de Aurélia de Sousa, mas também peças de José Guimarães e do norte-americano Sam Francis.
Segundo Arnaldo Silva, 2017 foi um ano onde se registou um maior número de apreensões de obras de arte em relação a anos anteriores, porque, segundo explicou, foi criada “uma nova abordagem” e uma “nova filosofia” de investigação da brigada da Unidade Territorial do Norte da PolÃcia Judiciária (PJ/Norte).
Investidas semanais a feiras de antiguidades desde Aveiro até Bragança e fiscalizações a leiloeiras, galerias e casas de velharias fazem parte do rol das novas abordagens de investigação da brigada da PJ/Norte, composta por quatro elementos, todos eles com formação especÃfica nas área de história, história de arte e ou património cultural.
Como forma de prevenção para não comprar obras de arte falsas, Arnaldo Silva avisa que a aquisição de obras deve ser realizada em “locais credÃveis” e que os objetos devem estar “certificados por peritos credenciados”.
“Evitar comprar quando não se consegue saber a origem da obra”, aconselha.
Os destinos para as obras de arte apreendidas pela PolÃcia Judiciária são vários, mas o principal objetivo é sempre conseguir devolver aos legÃtimos proprietários, explicou à Lusa Arnaldo Silva, acrescentando ainda que algumas obras são destruÃdas ou ficam à guarda da PolÃcia Judiciária, para fins didáticos e/ou formação.
Durante as apreensões de obras de arte no Norte do paÃs foram detidos dois homens nos últimos quatro anos, um por furto e outro por burla qualificada quando se preparava para sair do paÃs.
Na última década, foram apreendidas dezenas de quadros falsos de Júlio Pomar, Malangatana, Amadeo Souza Cardoso, Cesariny ou Picasso pela Diretoria do Norte da PolÃcia Judiciária em antiquários, galerias, feiras e residências.
Dados estatÃsticos da PolÃcia Judiciária referentes de 2012 a este ano, a que a Lusa teve acesso, indicam que a nÃvel nacional foram detidas 11 pessoas por crimes relacionados com furto de arte sacra, designadamente dois detidos em 2013 e outros dois detidos em 2014 pela Diretoria de Lisboa, dois detidos pela Diretoria do Norte e cinco detidos pela Diretoria de Coimbra (um em 2012, dois em 2014, um em 2015 e um em 2016).
CCM//LIL
Lusa/Fim



