25 Abril: Tavares apela a grito pela República contra “cravos geneticamente modificados”

Lisboa, 25 abr 2026 (Lusa) — O porta-voz do Livre Rui Tavares apelou hoje a um grito pela República e pela democracia conquistada após o 25 de Abril de 1974, contra “cravos geneticamente modificados”, numa referência ao Chega.

“Lancemos hoje nós também o nosso grito de «Viva a República», mas em saudação da coragem daqueles que resistiram, e do povo que está com a democracia e que vai sempre levar de vencida qualquer tentativa de impor mentiras ou distorções ou cravos geneticamente modificados perante a história do 25 de Abril”, apelou Rui Tavares, na sessão solene comemorativa dos 52 anos da Revolução dos Cravos.

A referência aos cravos “geneticamente modificados” dirigiu-se ao Chega, que escolheu levar para plenário flores num tom verde, ao invés dos vermelhos, símbolo da revolução.

Durante o seu discurso, Rui Tavares abordou também o impasse sobre a construção do Centro Interpretativo do 25 de Abril, inicialmente pensado para o Terreiro do Paço, em Lisboa, localização que o Governo já afastou.

Em cima da mesa, de acordo com o executivo, está a hipótese de localizar este centro na Pontinha, concelho de Odivelas, onde se encontra o edifício do posto de comando do Movimento das Forças Armadas (MFA).

“O 25 de Abril merece estar no centro simbólico do nosso Estado. O 25 de Abril merece estar no sítio certo, no sítio decisivo da nossa história”, afirmou, apelando à assinatura de uma petição lançada pelo Livre para que este centro seja construído no Terreiro do Paço.

Durante cerca de sete minutos, numa espécie aula de história, Rui Tavares recuou ao período pré-ditadura militar, instaurada em 1926, que derrubou a 1.ª República, tendo mais tarde sido instaurado no país o período do Estado Novo.

“Eles e elas, há 100 anos, nesta casa, não sabiam que viria aí a ditadura mais longa da Europa Ocidental”, alertou.

À época, de acordo com Rui Tavares, o parlamento “estava há um mês para aprovar o novo contrato dos tabacos, que valia 10% do orçamento nacional na altura”.

“E isso foi o suficiente para que todos os partidos estivessem desavindos e nenhum quisesse apoiar o Governo. E que a certa altura o Presidente do Congresso da República de então decidisse que o Governo não viria mais ao parlamento, tal era a forma ostensiva e agressiva com que ele era tratado”, lembrou.

Tavares salientou que “ninguém se entendeu e o parlamento estava num caos quando veio não um, mas dois golpes no dia 28 de maio”.

“No dia 31 de Maio de 1926, deixámos de ter parlamento legitimamente eleito durante 49 anos. Era impossível na altura imaginar que isto sucederia assim”, realçou, naquele que pareceu ser um aviso aos deputados que o ouviam.

Lembrando que “a ditadura e depois o Estado Novo nasceram na corrupção e no clientelismo” e que este período foi violento e repressivo, Tavares recordou ainda a revolta de 1927 em Lisboa, que se seguiu a outra no Porto e “ficou conhecida como a revolta do remorso”.

“E aí estavam, vejam só, todos os políticos que tinham estado desavindos antes, porque depois tinham o remorso de terem deixado perder a República, de não terem tido o sentido de responsabilidade e de memória suficiente para preservar a República contra a ditadura que aí veio”, avisou.

 

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