
Lisboa, 25 abr 2026 (Lusa) — O secretário-geral do PS defendeu hoje que “a liberdade sem uma vida decente é incompleta”, reiterando a oposição à “revisão dos direitos constitucionais dos trabalhadores”, e considerou que o sistema judicial precisa de reforma.
“O progresso económico só tem sentido quando serve as pessoas. A liberdade sem uma vida decente é incompleta. Abril continua atual nos desafios de hoje: na habitação, na saúde, na educação, no acesso à cultura e ao conhecimento, na economia e nos rendimentos”, defendeu José Luís Carneiro na sessão solene comemorativa dos 52 anos do 25 de Abril, que decorre no parlamento.
Para o líder do PS, é preciso estimular o crescimento económico, “mas tal não justifica a revisão dos direitos constitucionais dos trabalhadores”.
“Só podem contar com a nossa oposição as políticas em curso nesse sentido porque nós somos a alternativa credível e de confiança para servir Portugal”, reiterou, numa altura em que se mantém o impasse sobre o pacote laboral.
Considerando que a arquitetura constitucional “tem proporcionado décadas de estabilidade institucional”, Carneiro defendeu que o sistema judicial é “um pilar que carece de obras de conservação e de reforma” para “travar a crescente erosão da confiança pública no seu funcionamento”.
Carneiro afirmou que apesar do orgulho do partido em ter “contribuído para o maior salto de qualificação dos portugueses” na sequência do 25 de Abril, “há desigualdades que persistem e outras que se agravam, um crescimento económico débil e dificuldades às quais é necessário responder”.
“O custo de vida em geral e da habitação em particular. A instabilidade e a insegurança nas respostas da saúde. O que mostra que a justiça social é uma conquista de todos os dias e não um legado cristalizado”, apontou.
Para o líder do PS, “durante a ditadura, o país teimosamente persistia na guerra colonial”, com os jovens a receber “guia de marcha para combater numa guerra perdida e sem sentido” porque a “solução tinha de ser política e nunca militar”.
Segundo Carneiro, “a teimosia colonialista” levou Portugal “para 13 anos de guerra” e foi “responsável por milhares de mortos e feridos”, com “sequelas que ainda hoje perduram na vida de tantas famílias”.
“Nunca devemos esquecer: sempre que damos uma mão à guerra e nos tornamos cúmplices dela, também seremos parte das suas vítimas”, considerou.
O líder do PS deixou ainda uma palavra para a diáspora, “um dos ativos mais preciosos de Portugal” que “exige certamente outra prioridade política”.
“A nossa política externa tem de dar outra prioridade a este projeto coletivo, que tem de ser um dos motores na defesa e projeção da língua, da cultura e das relações de cooperação técnica e económica com a África, a América e a Ásia”, defendeu, referindo-se às relações com os países de língua portuguesa.
No seu primeiro 25 de Abril como secretário-geral do PS, Carneiro terminou a sua intervenção avisando que “a liberdade não se oferece, a liberdade conquista-se”.
“A democracia não é um prémio. Como disse Mário Soares, ‘ela não tem pais porque somos — todos nós — que a fazemos todos os dias'”, avisou, um discurso que tinha começado com uma citação de Manuel Alegre: “Foram dias, foram anos a esperar por um só dia”.
JF // SF
Lusa/fim
