25 Abril: PCP acusa saudosistas da ditadura de quererem ajustar contas e impor “narrativa revanchista”

Lisboa, 25 abr 2026 (Lusa) – O deputado do PCP Alfredo Maia criticou hoje os saudosistas do Estado Novo, acusando-os de quererem um “ajuste de contas com o 25 de Abril e com as suas conquistas” e “impor a sua narrativa revanchista”.

Na sessão solene comemorativa do 52.º aniversário do 25 de Abril de 1974, Alfredo Maia comunista homenageou, no início do seu discurso, os “incontáveis milhares e milhares de resistentes antifascistas” e os “combatentes dos movimentos de libertação nas colónias, irmanados na luta comum pela liberdade”, nomeando depois várias das vítimas das torturas e prisões das polícias políticas do Estado Novo.

“Foram milhões os alvos de vigilâncias e das devassas da PIDE/DGS e dos seus bufos”, sublinhou.

Alfredo Maia afirmou que, no dia da Revolução, o “país não era apenas pobre, atrasado económica, social e culturalmente, tolhido pela censura, pelo analfabetismo, pela malnutrição e mortalidade infantil”, mas estava também “submetido à repressão brutal que nenhum democrata esquecerá, sujeito a uma ditadura fascista que alguns evocam saudosamente”.

O deputado considerou que os que recordam com saudades o Estado Novo são os que hoje “não se conformam com a Revolução, que insistem num ajuste de contas com o 25 de Abril e com as suas conquistas e que procuram impor a sua narrativa revanchista”.

“Mas não há mistificações, saudosismos ou falsificações que apaguem os momentos exaltantes da Revolução que viraram a página e inscreveram as conquistas políticas, económicas, sociais, culturais e civilizacionais nas quais o povo tem um orgulho imenso e irrenunciável”, defendeu, dando como exemplo o direito à greve, o fim da guerra e as nacionalizações.

O parlamentar criticou o que disse ser a intenção de “grupos monopolistas e forças reacionárias” de “travar pelo boicote económico, pela fuga de capitais, assim como pela força, com os golpes e tentativas de golpe” os avanços conquistados em Abril, referindo que houve seiscentos ataques violentos reportados por organizações de extrema-direita, entre os quais atentados e assaltos, contra sedes de partidos de esquerda e sindicatos.

Para Alfredo Maia, apesar de em 1976 a Constituinte ter aprovado a “Constituição mais democrática da Europa”, “cinco décadas de políticas de direita, de contrarrevolução, atacaram direitos, desmantelaram serviços públicos, alienaram instrumentos essenciais ao desenvolvimento do país, submeteram a soberania nacional a interesses estrangeiros”.

“É nesse trajeto de retrocesso que se insere o pacote laboral com que o patronato, o governo e a direita que o servem, pretendem esmagar os direitos dos trabalhadores e impor ainda mais exploração e injustiça, objetivo que os trabalhadores com a sua luta têm rejeitado amplamente”, afirmou ainda.

O comunista defendeu que é preciso “retomar o rumo” de Abril através da derrota da revisão da lei laboral, “travando a injusta distribuição da riqueza, enfrentando o galopante aumento do custo de vida e rejeitando o arrastamento do país para a loucura do militarismo e da guerra.

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Lusa / Fim