
Lisboa, 20 fev (Lusa) – A associação ambientalista Zero denunciou hoje a existência de quase 50 mil veÃculos em fim de vida com destino desconhecido, um terço do total das matrÃculas canceladas, situação grave porque se trata de um resÃduo perigoso.
“Temos uma situação em que existem muitas dúvidas sobre o destino de um terço dos 149.431 veÃculos, cuja matrÃcula foi cancelada em 2016”, refere um comunicado da Associação Sistema Terrestre Sustentável, Zero.
Para os ambientalistas, esta situação “é muito grave em termos ambientais, uma vez que os VFV [veÃculos em fim de vida] são considerados resÃduos perigosos”.
Vários componentes dos automóveis, como baterias ou óleos usados, são resÃduos perigosos, sendo “fundamental que sejam encaminhados para operadores devidamente preparados para a sua descontaminação, o que pode não ter sido o caso destes cerca de 50 mil” veÃculos velhos.
A Zero explica ter analisado dados do Instituto da Mobilidade e dos Transportes (IMT) sobre o cancelamento de matrÃculas em 2016 e afirma ter “sérias dúvidas sobre o destino de 49.772 veÃculos em fim de vida”.
Por isso, pediu ao Ministério do Ambiente e à Autoridade Tributária e Aduaneira que esclareçam o que se passa.
Entre as situações detetadas, os ambientalistas destacam alguns casos em que o “cancelamento da matrÃcula foi feito em condições muito pouco claras”.
Segundo a associação, “10.892 veÃculos viram a sua matrÃcula ser cancelada sem ter sido emitido o obrigatório certificado de destruição, o que é ilegal face à legislação comunitária”, enquanto 15.096 tiveram a matrÃcula cancelada por terem sido exportados a pedido do interessado, “o que se afigura pouco plausÃvel”.
A Zero refere ainda o cancelamento da matrÃcula de 7.526 veÃculos “porque desapareceram” e de 16.258 por falta de transferência de propriedade, “mas não se sabe qual foi o seu destino”.
A gestão dos veÃculos em final de vida “tem sido problemática”, principalmente devido a uma legislação sobre o cancelamento de matrÃculas a “prever demasiadas situações de exceção” em relação à obrigatoriedade de emissão de um certificado de destruição.
A situação, segundo a organização de defesa do ambiente, “tem levado a que a exceção acabe por ser a regra e assim muitos destes veÃculos acabem em sucateiros ilegais, os quais também não têm sido alvo de uma adequada fiscalização”.
EA // PMC
Lusa/Fim



