
Kiev, 30 ago 2022 (Lusa) — O Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, defendeu hoje que a introdução de restrições de vistos para os russos pelo Ocidente será “um elemento de pressão” contra Moscovo, durante a receção a uma delegação bipartidária do Congresso norte-americano.
No encontro com os senadores norte-americanos Rob Portman (republicano) e Amy Klobuchar (democrata), Zelensky adiantou que discutiu o “desenvolvimento da situação na frente” do conflito com a Rússia, mas também voltou a deixar um apelo aos paÃses ocidentais.
Para Volodymyr Zelensky, a “polÃtica de sanções contra o paÃs agressor deve ser intensificada”.
“Um dos elementos dessa pressão deve ser a introdução de restrições de visto para os cidadãos da Federação Russa. Para que os russos sintam as consequências do seu próprio apoio à agressão contra o nosso paÃs”, salientou o governante, numa publicação divulgada na rede social Telegram.
A questão dos vistos tem surgido na ordem do dia na ‘rentrée’ polÃtica comunitária, face aos pedidos do Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, mas também de vários paÃses membros da UE, designadamente os Bálticos, no sentido de uma proibição de concessão de vistos a cidadãos russos.
Moscovo já garantiu que irá retaliar se a União Europeia (UE) decidir suspender os vistos para cidadãos russos em resposta à ofensiva militar de Moscovo na Ucrânia, acusando os europeus de irracionalidade “próxima da loucura”.
O ministro dos Negócios Estrangeiros português, João Gomes Cravinho, considera que, no atual contexto da agressão militar russa à Ucrânia, a UE não deve ter um acordo de facilitação de vistos com Moscovo, discordando, todavia, de uma proibição total.
Os 26 paÃses do espaço Schengen (22 Estados da UE, mais a Noruega, Islândia, SuÃça e Liechtenstein) receberam em 2021 três milhões de pedidos de vistos de curta duração de todas as categorias (turismo, estudos, viagens de negócios), com os cidadãos russos a liderarem, com 536.000 pedidos.
Após o encontro com os senadores norte-americanos, Zelensky agradeceu também a assistência militar fornecida pelos Estados Unidos à Ucrânia, apelando para que esta seja “mantida e aumentada”.
“Isso é importante para a vitória da Ucrânia”, defendeu, referindo que o apoio bipartidário do Congresso norte-americano é “extremamente valioso” para o seu paÃs.
A ofensiva militar lançada a 24 de fevereiro pela Rússia na Ucrânia causou já a fuga de quase 13 milhões de pessoas — mais de seis milhões de deslocados internos e quase sete milhões para os paÃses vizinhos -, de acordo com os mais recentes dados da ONU, que classifica esta crise de refugiados como a pior na Europa desde a Segunda Guerra Mundial (1939-1945).
A invasão russa — justificada pelo Presidente russo, Vladimir Putin, com a necessidade de “desnazificar” e desmilitarizar a Ucrânia para segurança da Rússia – foi condenada pela generalidade da comunidade internacional, que tem respondido com envio de armamento para a Ucrânia e imposição à Rússia de sanções.
A ONU apresentou como confirmados 5.663 civis mortos e 8.055 feridos na guerra, sublinhando que estes números estão muito aquém dos reais.
DMC (ACC/ANP) // MSP
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