
Bruxelas, 15 out 2026 (Lusa) – O Presidente ucraniano pediu hoje aos aliados da NATO que não interrompam o fornecimento de armamento, após as restrições impostas pelos Estados Unidos à Starlink, sistema fundamental para comunicações militares, que levaram à suspensão de algumas missões.
“Nos últimos dias, ocorreram várias vagas de ataques [com mísseis] balísticos e, de facto, há também ataques aéreos maciços no nosso espaço aéreo. Desde ontem (quarta-feira) de manhã, os russos lançaram quase mil drones”, descreveu Volodymyr Zelensky, após reunir-se em Bruxelas com o secretário-geral da NATO, Mark Rutte.
Zelensky salientou que este tipo de ofensiva, “no contexto das restrições às operações da Starlink na Ucrânia”, representa um “grande desafio”, tornando-se fundamental que os países da Aliança Atlântica continuem a colaborar com as forças ucranianas.
“Isto é especialmente verdade no que diz respeito aos intercetores balísticos e às munições para os [caças] F-16”, afirmou o Presidente ucraniano, que debateu estas e outras questões com Rutte, a quem agradeceu o apoio.
No contexto da troca de acusações, nos últimos dias, sobre o “cessar-fogo energético” proposto pelo Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que Kiev e Moscovo se acusaram mutuamente de violar desde o início, Zelensky voltou a pronunciar-se sobre o assunto para lamentar a posição russa.
Segundo o chefe de Estado ucraniano, a ofensiva russa em grande escala, ocorrida nos últimos dias contra o setor energético, outras instalações e o parque habitacional ucranianos, já anteriormente por ele referida, é a resposta de Moscovo “a mais uma tentativa do Presidente norte-americano para reduzir a intensidade dos ataques”.
E sublinhou que as refinarias e outras infraestruturas do setor energético russo voltarão a ser alvos do Exército ucraniano, em reação à recusa de Moscovo de aderir ao plano de Trump e denunciou ainda que as falhas nas comunicações via satélite da Starlink foram deliberadas.
No sábado, Trump propôs às duas partes uma moratória de 60 dias sobre os ataques a refinarias e infraestruturas energéticas, uma iniciativa que tanto Moscovo como Kiev se têm acusado de não respeitar e que coincidiu com o levantamento das sanções dos Estados Unidos ao petróleo russo.
Desde então, tem crescido a pressão de Washington para que a Ucrânia suspenda os ataques contra estas instalações, sob a ameaça de interrupção do fluxo de informações secretas — essenciais para deter ataques russos — e da suspensão das comunicações via Starlink, a rede de Internet da SpaceX, do empresário norte-americano Elon Musk.
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