
Kiev, 24 fev 2026 (Lusa) — O Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, afirmou hoje que a Rússia não “quebrou os ucranianos” nem triunfou na sua guerra, quatro anos após uma invasão que testou severamente a determinação de Kiev e dos seus aliados.
Além disso, disse Zelensky, a guerra alimentou os receios dos europeus sobre a escalada das ambições de Moscovo.
Numa demonstração de apoio, mais de doze altos responsáveis europeus dirigiram-se à capital ucraniana para assinalar o aniversário sombrio do conflito, que matou dezenas de milhares de pessoas, desestabilizou a vida de milhões de ucranianos e criou instabilidade para além das suas fronteiras.
Zelenskyy adiantou que o seu país resistiu à ofensiva do exército russo, maior e melhor equipado, que no último ano de combates capturou apenas 0,79% do território ucraniano, segundo o Institute for the Study of War, um grupo de reflexão com sede em Washington. A Rússia detém agora cerca de 20% da Ucrânia.
“Olhando para o início da invasão e refletindo sobre hoje, temos todo o direito de dizer: Defendemos a nossa independência, não perdemos a nossa soberania”, frisou Zelenskyy nas redes sociais, acrescentando que o Presidente russo, Vladimir Putin, “não alcançou os seus objetivos”.
“Ele não quebrou os ucranianos; ele não ganhou esta guerra”, sublinhou o chefe de Estao ucraniano.
Apesar da demonstração de desafio, a Ucrânia tem lutado para conter o avanço da Rússia, e a guerra trouxe dificuldades generalizadas para os civis ucranianos.
Os ataques aéreos da Rússia devastaram famílias e privaram os civis de eletricidade e água corrente.
Putin não referiu o aniversário nem disse como decorria a guerra quando falou, hoje, numa reunião em Moscovo, com altos responsáveis do Serviço Federal de Segurança, ou FSB.
No entanto, disse-lhes que a ameaça de ataques ucranianos em solo russo aumentou.
A Ucrânia tem cada vez mais desdobrado drones de longo alcance que desenvolveu para atacar refinarias de petróleo, depósitos de combustível e centros logísticos militares a mais de 1.000 quilómetros dentro da Rússia.
À medida que o conflito entra no seu quinto ano, um impulso diplomático liderado pelos EUA para pôr fim à maior guerra no continente desde a Segunda Guerra Mundial parece não estar mais próximo de um acordo de paz.
As negociações estão bloqueadas quanto ao que acontecerá com o Donbas, o coração industrial do leste da Ucrânia que as forças russas ocupam na sua maioria, mas que não conseguiram conquistar completamente, e em relação aos termos de um acordo de segurança pós-guerra que Kiev exige, para dissuadir qualquer futura invasão russa.
A Assembleia Geral da ONU pediu hoje um cessar-fogo imediato e uma paz abrangente na Ucrânia, rejeitando uma tentativa dos EUA de eliminar a linguagem que enfatiza a soberania e a integridade territorial do país.
Washington apoia um cessar-fogo imediato, afirmou a vice-embaixadora dos EUA, Tammy Bruce, antes da votação, mas opôs-se à linguagem que enfatiza a unidade territorial da Ucrânia, porque isso poderia “desviar” o foco das negociações de paz.
A Assembleia Geral, composta por 193 membros, aprovou a redação original por 107 a 12, com os Estados Unidos entre os 51 países que se abstiveram.
Num memorial improvisado na praça central de Kiev, onde milhares de pequenas bandeiras e retratos mostram fotos de soldados caídos, Zelenskyy disse que gostaria que o Presidente dos EUA, Donald Trump, visitasse e testemunhasse por si mesmo o sofrimento ucraniano.
“Só então se pode realmente compreender do que trata esta guerra”, acrescentou.
Quando mais tarde lhe perguntaram como quatro anos de guerra o tinham mudado, Zelenskyy disse: “Não tenho tempo para amigos ou amizades.”
Trump, que uma vez prometeu acabar com a guerra um dia, mudou repetidamente o seu tom em relação a Putin e a Zelenskyy ao longo do último ano: por vezes criticando a posição de negociação do líder ucraniano, enquanto se aproximava do líder russo, e noutras ocasiões atacando Putin pelos pesados bombardeamentos e mostrando-se mais simpático à situação da Ucrânia.
O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, disse que a invasão continuaria em busca dos objetivos de Moscovo.
Estes objetivos incluem uma exigência de que a Ucrânia renuncie à sua tentativa de aderir à NATO, cortar radicalmente o seu exército e ceder vastas extensões de território.
Zelenskyy disse que esperava uma nova ronda de negociações mediada pelos EUA com a Rússia nos próximos 10 dias.
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