Zelensky condena “depravação absoluta” da Rússia após ataques massivos

Kiev, 24 mar 2026 (Lusa) — O Presidente ucraniano condenou hoje a “depravação absoluta” da Rússia, após ataques diurnos massivos com drones por todo o país, nomeadamente no centro histórico da cidade de Lviv.

“Os [drones] ‘Shahed’ iranianos, modernizados pela Rússia, atingiram uma igreja em Lviv: isto é de uma depravação absoluta e só alguém como [o Presidente russo Vladimir] Putin pode gostar disto”, disse Volodymyr Zelensky no seu discurso diário.

“A dimensão deste ataque mostra claramente que a Rússia não tem absolutamente nenhuma intenção de pôr realmente fim a esta guerra”, acrescentou Zelensky, prometendo que Kiev “responderá certamente a qualquer ataque”.

Pelo menos quatro pessoas morreram nos ataques hoje registados no país, segundo as autoridades ucranianas.

“Até ao momento, sabe-se de mais de 40 feridos, entre os quais cinco crianças. Está a ser prestada toda a assistência necessária a todos”, adiantou o líder ucraniano.

Segundo a Força Aérea ucraniana, a Rússia lançou mais de mil drones contra a Ucrânia nas últimas 24 horas, após uma onda de ataques diurnos de uma magnitude rara.

A Rússia levou a cabo “um dos ataques mais massivos contra a Ucrânia” com “556 drones de ataque” lançados entre as 09:00 e as 18:00 locais, que se somam aos 392 drones e 34 mísseis enviados durante a noite, indicaram as forças ucranianas.

Os ataques russos atingiram, entre outras localidades da Ucrânia, a cidade de Lviv e danificaram edifícios no recinto da igreja de Santo André, que é Património Mundial da UNESCO.

O ataque russo provocou um incêndio na parte superior de edifícios residenciais de três andares situados no recinto da igreja de Santo André, construída durante o século XVII, património reconhecido pela UNESCO desde 1998, segundo avançou o presidente da Câmara de Lviv, Andri Sadovi.

A cidade ucraniana de Lviv fica situada a cerca de 70 quilómetros da fronteira com a Polónia.

“A Rússia está a atacar um centro urbano movimentado em plena luz do dia”, reagiu a primeira-ministra da Ucrânia, Yulia Sviridenko, na rede social X, face ao ataque com drones de conceção russo-iraniana.

Também o ministro dos Negócios Estrangeiros, Andriy Sybiga, criticou num comunicado os ataques, descrevendo-os como brutais, salientando o importante valor cultural de Lviv.

No mesmo comunicado, Sybiga exortou o diretor-geral da UNESCO, Jaled al-Anani, “a responder imediatamente ao crime e a adotar uma posição clara”.

O Instituto para o Estudo da Guerra (ISW), um ‘think tank’ (grupo de reflexão) sediado em Washington que monitoriza as evoluções do campo de batalha desde o início da guerra, em fevereiro de 2022, considerou na segunda-feira que a ofensiva russa de primavera-verão já está em curso.

Moscovo intensificou os seus ataques a partir de 17 de março e deslocou equipamento pesado e mais tropas para a linha da frente, segundo o ISW.

A guerra no Médio Oriente tem beneficiado a Rússia, através do levantamento parcial e temporário das sanções norte-americanas contra o comércio de petróleo russo, como parte dos esforços para conter a alta instabilidade nos mercados mundiais desde o início deste novo conflito. 

 

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