
Estrasburgo, França, 16 set 2026 (Lusa) — A presidente da Comissão Europeia defendeu hoje que a União Europeia (UE) permite assegurar a “verdadeira soberania aos europeus”, numa “era complexa de grandes perigos”, como a guerra, os ataques hÃbridos e a ascensão dos extremismos.
“Se olhar para a Europa de hoje, a minha conclusão é esta: o estado da nossa União é o mais forte de sempre, mas o estado da nossa União pode também parecer tão precário como nunca. Estas duas afirmações podem parecer incompatÃveis, mas ambas são verdadeiras e refletem estes tempos excecionais, esta era complexa de grandes possibilidades e grandes perigos, que todos os paÃses procuram navegar”, disse Ursula von der Leyen.
Intervindo na sessão plenária do Parlamento Europeu, na cidade francesa de Estrasburgo, ao proferir o segundo discurso do Estado da União do novo mandato, a lÃder do executivo comunitário elencou que, “neste mundo, a Europa escolheu traçar o seu próprio caminho”, estando agora a “emergir mais forte e independente”, ao garantir a sua prosperidade, reduzir a dependência dos combustÃveis fósseis russos, reforçar a sua posição como potência comercial, transformar a sua polÃtica industrial e aumentar a sua capacidade de defesa.
“Tudo isto prova uma coisa: a Europa está aqui para os europeus. E, perante a fragilidade do mundo atual, apenas a Europa pode proporcionar verdadeira soberania aos europeus”, salientou Ursula von der Leyen.
A responsável elencou “ameaças” como a guerra no continente europeu, a concorrência industrial global, a desinformação, a ascensão dos extremismos e as divisões internas, agravadas pelo custo de vida, pela habitação e pelo impacto da tecnologia.
E questionou: “Queremos uma Europa forte e independente, que defenda os seus valores neste mundo? Ou permitiremos que as divisões e as dependências nos impeçam de avançar? Queremos unir-nos em torno da nossa ideia europeia de que, juntos, podemos decidir o nosso próprio destino? Ou permitiremos que as nossas democracias sejam fragilizadas pelos representantes e pelos fantoches de regimes autoritários?”.
“Quer se trate dos ultranacionalistas ou dos antieuropeus, quer se trate da interferência russa ou da desinformação, os nomes podem ser diferentes, mas o objetivo é o mesmo. Desprezam os nossos valores e querem destruir a nossa unidade europeia. Por isso, não nos limitemos a combater essas forças; lutemos juntos pela nossa ideia europeia”, adiantou a presidente da Comissão Europeia.
O discurso surge numa altura em que a UE enfrenta vários desafios, das ameaças hÃbridas atribuÃdas à Rússia à recente crise migratória em Ceuta, passando pelos riscos e oportunidades associados ao desenvolvimento da inteligência artificial, e prepara negociações sobre o próximo orçamento de longo prazo, para 2028-2034.
Este é o sexto discurso sobre o Estado da União de Von der Leyen, mas o segundo do atual mandato, iniciado no final de 2024 e até 2029.
O discurso sobre o Estado da União é proferido anualmente pela presidente da Comissão Europeia perante o Parlamento Europeu, na primeira sessão plenária após as férias, na cidade francesa de Estrasburgo, e serve para fazer um balanço da atividade comunitária e apresentar as prioridades para o ano seguinte.
InstituÃdo em 2010, após a entrada em vigor do Tratado de Lisboa, o discurso é seguido de um debate com os eurodeputados.
Â
ANE/IG//PSC
Lusa/Fim



