
Nairóbi, 28 fev 2024 (Lusa) — O volume de resÃduos no mundo deve chegar a 3,8 mil milhões de toneladas em 2050, um terço mais do que os 2,3 mil milhões registados em 2023, com consequências para a saúde e economias, alertou hoje a ONU.
O alerta faz parte de um relatório do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), o “Global Waste Management Outlook 2024” (GWMO), publicado hoje e que aponta as consequências da inação na gestão global dos resÃduos, com custos elevados para a saúde humana, para a economia e para o meio ambiente.
O GWMO sublinha que se os mais de dois mil milhões de toneladas de resÃduos produzidos todos os anos fossem colocados em contentores de transporte, percorreriam uma distância equivalente a “25 voltas ao equador da Terra ou mais do que uma viagem de ida e volta à Lua”.
“Se não forem tomadas medidas urgentes na gestão de resÃduos, em 2050 o custo anual global poderá quase duplicar para uns impressionantes 640,3 mil milhões de dólares (cerca de 580,13 mil milhões de euros)”, alerta o PNUMA no relatório, apresentado na 6.ª Assembleia das Nações Unidas para o Ambiente (UNEA-6), em Nairobi.
A diretora executiva do PNUMA, Inger Andersen, sublinhou em comunicado o “papel fundamental dos decisores dos setores público e privado na transição para a eliminação total dos resÃduos”.
“A produção de resÃduos está intrinsecamente ligada ao produto interno bruto (PIB) e muitas economias em rápido crescimento estão a debater-se com o peso do rápido crescimento dos resÃduos”, sublinhou Inger Andersen.
O PNUMA sublinhou a urgência de adotar medidas de economia circular e de resÃduos zero.
“O mundo precisa urgentemente de avançar para uma abordagem de zero resÃduos, melhorando simultaneamente a gestão dos mesmos para evitar uma contaminação significativa”, afirmou a principal autora do relatório, Zoë Lenkiewicz.
O modelo de economia circular apresentado no documento refere-se a um sistema económico em que os produtos e materiais são concebidos de forma a poderem ser reutilizados ou reciclados.
Assim, podem ser mantidos na economia durante o maior tempo possÃvel, juntamente com os recursos a partir dos quais são fabricados, e a produção de resÃduos é evitada ou minimizada, ao mesmo tempo que as emissões de gases com efeito de estufa são reduzidas.
O documento adverte que a crise dos resÃduos será tanto maior quanto maior for o crescimento nos paÃses onde o tratamento dos resÃduos continua a ser poluente, como descargas ou incineração a céu aberto.
“Apesar dos esforços, pouco mudou. A humanidade até regrediu, gerando mais resÃduos (…). Milhares de milhões de pessoas não têm o seu lixo recolhido”, resume o documento.
Enquanto a maior parte dos resÃduos é recolhida nos paÃses ricos, a taxa de recolha é inferior a 40% nos paÃses mais pobres.
Atualmente, entre 400.000 a um milhão de pessoas morrem todos os anos de doenças ligadas a uma gestão inadequada dos resÃduos (diarreia, malária, doenças cardiovasculares, cancro), sublinha o relatório.
Os resÃduos depositados no solo libertam durante muito tempo agentes patogénicos, metais pesados e outros desreguladores endócrinos, no solo e nas águas subterrâneas. A queima a céu aberto liberta poluentes persistentes para a atmosfera. Os resÃduos orgânicos que se decompõem nos aterros sanitários são responsáveis por 20% das emissões humanas de metano, dos gases com efeito de estufa mais potentes.
A UNEA-6, o principal órgão de decisão ambiental do mundo, reúne “mais de 5.000 representantes dos governos, da sociedade civil e do setor privado”, segundo o PNUMA, com sede em Nairobi.
FP // JMR
Lusa/fim



