
Londres, 27 out 2026 (Lusa) – Yulia Navalnaya, viúva do ativista opositor russo Alexei Navalny, considerou hoje “um disparate” chamar “humanista” ao Presidente russo, Vladimir Putin, como fez o enviado especial da Casa Branca Steve Witkoff, na semana passada.
“Putin matou o meu marido. Por isso, para mim, chamá-lo de ‘humanitário’ é um disparate. E não se trata apenas de guerras. Este ano, na Conferência de Segurança de Munique, cinco países europeus afirmaram que há muitas provas de que o meu marido foi envenenado na prisão”, afirmou em Londres.
Navalnaya reagia assim às declarações de Witkoff na semana passada, quando elogiou Putin durante uma reunião realizada em São Petersburgo.
“Fala tanto do meu presidente, o Presidente Trump, como sendo um humanista – o senhor também é um humanitário, e eu saúdo isso. Felicito-o”, disse Witkoff, a propósito da libertação de um cidadão norte-americano.
Moscovo libertou o professor aposentado norte-americano Stephen Hubbard, de 74 anos, detido em 2022 e condenado a sete anos de prisão por alegadamente ter combatido como mercenário pela Ucrânia.
Alexei Navalny morreu uma prisão russa no Ártico aos 47 anos, em 2024.
A viúva recordou como “em primeiro lugar, eles tomaram-no como refém”, ao ser detido à chegada à Rússia, em 2021, ficando “preso durante anos, como se estivesse na prisão”.
Em 2023, foi condenado a 19 anos de prisão, por alegadamente fundar e financiar uma organização terrorista.
“Tinham tanto medo dele que o envenenaram”, disse Navalnaya, atualmente presidente da Fundação dos Direitos Humanos, que hoje apresentou em Londres a colaboração com a organização Ação pela Democracia para desenvolver o “Índice de Colaboração Autoritária”.
Num comunicado conjunto em fevereiro, Reino Unido, Suécia, França, Alemanha e os Países Baixos denunciaram que Navalny morreu envenenado com uma toxina letal presente em rãs-dardo venenosas da América do Sul.
A Rússia afirma que Navalny morreu de causas naturais na prisão, em fevereiro de 2024.
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