
Lisboa, 08 mar 2024 (Lusa) — O número de vÃtimas de violência doméstica ajudadas pela Associação Portuguesa de Apoio à VÃtima tem vindo continuamente a aumentar nos últimos três anos, com mais de 31 mil pessoas apoiadas desde 2021 e quase 65 mil crimes registados.
De acordo com os dados mais recentes da Associação Portuguesa de Apoio à VÃtima (APAV), divulgados hoje, a associação ajudou 31.117 vÃtimas de violência doméstica entre 2021 e 2023, o que representa um aumento de 22,9% no evoluir destes três anos, tendo em conta que em 2021 contabilizou 9.275 pessoas, que depois passaram para 10.442 no ano seguinte e chegaram à s 11.400 em 2023.
“Entre 2021 e 2023, a maior parte das vÃtimas do crime de violência doméstica que foi apoiada na APAV foi alvo de vitimação continuada (16.953; 54,5%)”, refere a associação.
No total, a APAV contabilizou 64.899 crimes de violência doméstica neste perÃodo de tempo, ao mesmo tempo que identificou 31.251 autores dos crimes, um número que representa um aumento de 22,5% na evolução entre 2021, com 9.336 agressores, e 2023, com registo de 11.443 pessoas.
“Entre 2021 e 2023, a maior parte dos autores do crime de violência doméstica que chegou ao conhecimento da APAV era cônjuge da vÃtima (6.461; 20,7%)”, refere a associação, que chama também a atenção “para os autores do crime de violência doméstica que são companheiros (4.043; 12,9%) e ex-companheiros (3.587; 11,5%) das vÃtimas”.
Realça também os casos em que “os autores do crime de violência doméstica são pais das vÃtimas (3.452; 11%)” ou “são filhos das vÃtimas (2.126; 6,8%)”.
Por outro lado, a constatação continua a ser a de que “a maior parte dos autores do crime de violência doméstica” são homens (21.498; 68,8%), havendo também 11,7% dos casos em que o autor do crime é uma mulher e que representaram 3.647 casos.
“A maior parte dos/as autores/as do crime de violência doméstica que chegou ao conhecimento da APAV tinha entre 36 e 45 anos de idade (4.110; 13,2%)”, refere a associação.
Já em relação à s vÃtimas, os dados da APAV mostram que nestes três anos eram sobretudo mulheres (25.240; 81,1%), o que representa um aumento de 19,7%, realçando que entre 2021 e 2023 houve um aumento de 47% em relação aos casos de homens vÃtimas de violência doméstica apoiados na associação e que ultrapassaram os 5.300.
“A maior parte das vÃtimas do crime de violência doméstica que foi apoiada na APAV tinha entre 36 e 45 anos de idade (5.515; 17,7%)”, refere a associação, destacando igualmente “o número de crianças e jovens vÃtimas de violência doméstica apoiado (4.962; 15,9%) bem como o número de pessoas idosas vÃtimas do mesmo crime que foi apoiado (3.436; 11%)”.
Entre as quase 17 mil pessoas que foram alvo de vitimação continuada, 4.895 estiveram nessa situação entre os dois e os seis anos, havendo registo de 294 casos que viveram mais de 40 anos numa situação de violência doméstica.
Metade das vÃtimas apoiadas pela APAV apresentou queixa junto de entidades judiciais ou judiciárias, mas 11.007 pessoas (35,4%) optou por não apresentar queixa ou fazer denúncia.
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