Vindima antecipada no Douro em ano que se prevê aumento de produção

Vila Real, 05 ago 2026 (Lusa) – No Douro está a verificar-sem uma antecipação da vindima em cerca de uma a duas semanas, neste ano em que se prevê um aumento de 25% na produção de vinho nesta região, segundo associações do setor.

“A antecipação da vindima é um facto, é uma realidade que nós estamos a assistir, não só em relação ao ano passado, mas também uma antecipação em relação àquilo que é habitual”, afirmou hoje à agência Lusa Rui Soares, presidente da Associação de Viticultores Profissionais do Douro (Prodouro).

Na região, já há produtores a cortarem uvas para os vinhos espumantes e, até à próxima semana, prevê-se o arranque da vindima de uvas brancas de uma forma mais generalizada.

“O ano passado já tinha sido uma vindima precoce, este ano ainda é mais precoce que o ano passado, o que significa que realmente as uvas estão a ficar maduras mais cedo que o normal”, acrescentou Rui Soares.

O dirigente da Prodouro apontou para uma vindima cerca de uma semana mais cedo do que no passado, mas, se se comparar com a média da região, poder-se-á estar a falar de um avanço de quase duas semanas.

“Aquilo que nós vemos é que os bagos estão a evoluir, do ponto de vista da maturação, de uma forma mais precoce daquilo que foram as vindimas anteriores. Estamos perante uma antecipação que pode ser de 15 a oito dias face à data normal de vindima”, referiu também, o diretor-geral da Associação para o Desenvolvimento da Viticultura Duriense (ADVID), Luís Marcos.

Este responsável adiantou ainda que o que se prevê, com esta antecipação, “é que provavelmente a partir da próxima semana, talvez mais perto do final da semana, se possa iniciar uma vindima mais generalizada de uvas brancas, principalmente em zonas mais precoces da região em que a maturação está mais antecipada”.

O Douro não é uma região homogénea, pelo que há sub-regiões em que a maturação está mais avançada do que noutras.

Rui Soares disse que há um conjunto de fatores que explicam esta antecipação, num ano em que o ciclo começou também ele de forma precoce.

“Ou seja, o abrolhamento foi cedo e essa antecipação manteve-se ao longo do ciclo. A floração também foi mais cedo que o normal, o pintor aconteceu mais cedo que o normal, ou seja, todos os estados fenológicos da vinha mantiveram essa antecipação”, referiu.

Para isso contribuiu também, segundo explicou, o “tempo relativamente ameno”, apontando apenas para golpes de calor no início de julho, bem como as reservas hídricas que resultaram de um inverno generoso em termos de chuva.

“Portanto, a planta esteve sempre a trabalhar confortável. Temperaturas amenas, humidade no solo, a planta nunca parou, foi sempre trabalhando, foi sempre produzindo os seus assimilados e a antecipação da vindima é o resultado disso, deste conjunto de fatores”, realçou.

A colheita inicia-se pelos espumantes, em que se querem uvas menos maduras, e segue-se depois o corte das uvas brancas mais precoces, como viozinho ou moscatel galego, depois terá seguimento com os vinhos rosés e, por fim, os tintos.

Rui Soares referiu ainda que se perspetiva uma colheita de boa qualidade, salientando que as “uvas estão promissoras” nesta altura.

As previsões da ADVID, divulgadas em julho, apontam para um aumento de produção no Douro na ordem dos 25% comparativamente com a produção declarada em 2025, que foi de 178 mil pipas de vinho (550 litros cada).

Também o Instituto da Vinha e do Vinho (IVV) estima que a produção de vinho na campanha 2026/27 atinja um volume de 6,7 milhões de hectolitros a nível nacional, mais 12% do que no ano anterior, com os aumentos percentuais mais expressivos registados em quatro regiões: Douro (mais 25%), Alentejo (15%), Península de Setúbal (15%) e Trás-os-Montes (15%), que juntas representam um acréscimo aproximado de meio milhão de hectolitros face à campanha anterior.

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