
Lisboa, 27 mai 2026 (Lusa) — O presidente do FC Porto, André Villas-Boas, afirmou hoje que os “presidentes não estão imunes às emoções” e que “há um caminho de responsabilidade a tomar” para melhorar o ambiente entre clubes no futebol português.
As declarações ocorreram à margem da celebração do 10.º aniversário do jornal ECO, que decorreu no Centro Cultural de Belém, em Lisboa, e na qual Villas-Boas foi orador convidado.
“Nós estamos no campo das emoções e os presidentes não estão imunes às mesmas. Quando são ultrapassados os limites é preciso reconhecer isso. Os limites foram ultrapassados grandemente. Na próxima época há um caminho de responsabilidade a tomar, o que não se pode é viver na hipocrisia”, começou por dizer.
Apesar deste discurso, o dirigente não poupou nas críticas ao Sporting, classificando como “patéticas” e “‘chico-espertice'” as propostas apresentadas pelo clube ‘verde e branco’ na última assembleia geral da Liga de futebol.
O Sporting propôs que os lances de pontapé de canto mal assinalados pudessem ser revistos pelo videoárbitro — à semelhança do que acontecerá no Mundial2026 — e que se agravassem as sanções contra os dirigentes desportivos.
“O que se viveu na última assembleia geral da liga foi absolutamente patético quanto às propostas do Sporting. Uma que tem a ver com um canto mal assinalado que deu uma vitória indevida, e que nem vem do Sporting, vem do International Football Association Board (IFAB). Foi uma tentativa de ‘chico-espertice’, que saiu muito mal”, ‘disparou’ Villas-Boas.
O líder do campeão nacional referiu, ainda, que “quem pretende aumentar as sanções pelas palavras dos presidentes” terá de “liderar pelo exemplo”, relembrando as palavras de Frederico Varandas após o Sporting-FC Porto da primeira mão da meia-final da Taça de Portugal, que os ‘leões’ venceram por 1-0.
“[…] Temos de liderar pelo exemplo e não ter cenários como o que aconteceu no Sporting–FC Porto, que levou um presidente a ‘perder a cabeça’ e a insultar outro. Assumo, também, a minha responsabilidade. Há um nível de educação que temos de ter, pelo exemplo que temos de dar e podem contar com o presidente do FC Porto para isso”, afirmou.
André Villas-Boas disse que desde que se tornou presidente do FC Porto tem “tentado aproximar” os ‘grandes’ do futebol português, “regra” que “quebrou” quando “um determinado presidente começou a atacar o FC Porto, sem qualquer fundamento”, referindo-se ao congénere do Sporting.
“Não querendo voltar a 2024, mas eu não fiz outra coisa senão tentar aproximar os ‘grandes’ do futebol português. A partir do momento em que tentam pisar os calcanhares do FC Porto, não há maneira de os clubes se poderem entender. Eu quebrei essa regra quando um determinado presidente começou a atacar o FC Porto sem qualquer fundamento”, ‘atirou’.
No entanto, Villas-Boas destacou que existem aspetos “relevantes para o crescimento do futebol português” nos quais há “alinhamento” entre o FC Porto e os rivais, nomeadamente com o Sporting, referindo a centralização dos direitos televisivos, na qual diz haver “total união” entre ‘dragões’ e ‘leões’, com a “abstenção” do Benfica.
Já sobre a preparação da próxima temporada, o líder dos campeões nacionais destaca a antecipação do FC Porto ao mercado, com discussões que “sustentem o sucesso” do clube a médio e longo prazo, admitindo “mudanças estruturantes” na equipa, por motivos financeiros, mas que pretende que tenham “o menor impacto possível”.
Villas-Boas negou , ainda, o alegado interesse do Barcelona no defesa Kiwior, negando ter tido quaisquer conversas com o diretor desportivo do clube ‘blaugrana’ e ex-jogador dos ‘azuis e brancos’ Deco, e refutando também ” qualquer interesse” e “movimentações” por Gustavo Sá, jogador do Famalicão.
“O FC Porto opera no mercado de forma diferente dos outros, com muito silêncio e secretismo. Assim o tem feito, assim o fez com o João Afonso [recém-chegado do Santa Clara] e assim vai continuar a ser”, rematou.
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