
Lisboa, 20 mai 2022 (Lusa) — Os técnicos de reinserção social dos serviços prisionais saÃram hoje da reunião no Ministério da Justiça sem compromissos face à s reivindicações, pelo que mantêm a greve no final do mês, deixando milhares de vÃtimas e agressores sem vigilância eletrónica.
Em declarações à Lusa, Miguel Gonçalves, presidente do Sindicato dos Técnicos da Direção-Geral de Reinserção e Serviços Prisionais, que hoje se reuniu com o secretário de Estado Adjunto e da Justiça, Jorge Costa, sublinhou a disponibilidade do governante para analisar as preocupações destes profissionais e interceder junto do Ministério das Finanças para desbloquear promoções que não acontecem desde 2008.
Mas sem um compromisso até à próxima terça-feira, os técnicos de reinserção social avançam para a greve de três dias — em 27, 28 e 29 de maio — para a qual os serviços mÃnimos não salvaguardaram a vigilância eletrónica.
Segundo Miguel Gonçalves, nesses dias há cerca de 2.500 vigiados e 1.500 vÃtimas de violência doméstica que ficam sem qualquer vigilância por parte destes técnicos, “entregues a si próprios”.
“É nossa intenção cumprir apenas o que está contemplado nos serviços mÃnimos”, disse o presidente do sindicato, referindo que, no que diz respeito aos jovens internados em centros educativos, os serviços mÃnimos apenas preveem vigilância e segurança dos espaços.
Significa isso que os cerca de 200 jovens distribuÃdos pelos seis centros educativos no paÃs correm o risco de ficar fechados durante três dias e sem acesso a alimentação, geralmente distribuÃda pelos técnicos, mas que nestes dias não estão obrigados a fazê-lo.
Os cerca de 800 técnicos de reinserção social querem ver criada uma carreira especial que os enquadre – a de técnico de reinserção social. Atualmente dividem-se em técnicos profissionais de reinserção social (TPRS), técnicos superiores de reinserção social (TSRS) e técnicos superiores de reeducação (TSR).
Aos TPRS, por exemplo, compete o trabalho de elaboração de planos de reinserção, incluindo a definição de quem os integra (guardas prisionais, professores, entre outros), a vigilância eletrónica de presos ou a monitorização de menores em centros educativos.
Aos TSRS compete o trabalho de reinserção na comunidade e aos TSR o trabalho de reinserção dentro das cadeias.
Para além da criação da carreira especial, pedem a abertura de concursos de promoção na carreira e o reforço de recursos humanos.
IMA // JMR
Lusa/fim



