Vida Justa denuncia mais despejos no bairro da Quinta do Mocho em Loures

Loures, Lisboa, 28 nov 2025 (Lusa) — O movimento Vida Justa denunciou hoje que a Câmara de Loures levou a cabo mais de uma dezena de despejos nas últimas três semanas no bairro da Quinta do Mocho, alguns deles devido a dívidas de água.

Os despejos no bairro da Quinta do Mocho, localizado na cidade de Sacavém, já ocorrem pelo menos desde junho e prosseguem desde então, segundo disse à agência Lusa Kedy Santos, do movimento Vida Justa.

“Nas últimas três semanas têm ocorrido despejos, inclusive de uma senhora que era portadora de um equipamento de suporte de respiração. Ela foi colocada na rua com a máquina desligada e nós é que tivemos que, depois, levar a senhora para os serviços da Câmara”, contou.

Kedy Santos referiu ainda que alguns dos despejos que estão a ocorrer neste bairro do distrito de Lisboa são decorrentes de eventuais dívidas de água e não de rendas.

“Os SIMAR [Serviços Intermunicipalizados de Água e Saneamento] estão a enviar as dívidas para as finanças e se as famílias não negoceiam com as finanças as dívidas vão aumentando, os juros e o risco de incumprimento”, alertou.

O ativista indicou que também há pessoas e famílias que estão a receber ameaças de despejo por dívidas de pagamento de água por parte de familiares que já morreram, que eram os titulares do contrato.

“As pessoas estão muito revoltadas e temos pessoas que dizem que se forem postas na rua podem chegar a situações de violência. Então, nós estamos a tentar a todo o custo evitar que isso suceda e que se encontre um canal de comunicação e de alguma ponderação, tanto da parte dos moradores, como também da parte do próprio executivo”, apontou.

Nesse sentido, Kedy Santos adiantou que o movimento Vida Justa vai reunir-se no sábado com os moradores da Quinta do Mocho, para ouvir as suas apreensões.

Contactada pela Lusa, fonte da Câmara de Loures, presidida por Ricardo Leão (PS), justificou “as desocupações” com “incumprimentos prolongados, ocupações ilegais e violação reiterada das regras de habitação social”.

“Os casos que se encontram em resolução dizem respeito a situações em que, apesar das sucessivas notificações e oportunidades concedidas para regularização de incumprimentos, nada foi feito nesse sentido. Quando tomou posse, em 2021, este executivo deparou-se com um parque habitacional em que 55% se encontrava em situação de incumprimento. Hoje, fruto de um trabalho rigoroso, permanente e socialmente responsável, esse número baixou para 13%, garantindo maior justiça, transparência e responsabilidade no acesso à habitação municipal”, sublinhou a autarquia.

A Câmara de Loures lembrou ainda que “existe uma lista de espera com cerca de mil famílias que cumprem todos os critérios, que vivem em situação de vulnerabilidade e que aguardam há anos por uma resposta justa”.

“A boa gestão do parque habitacional exige que quem cumpre tenha prioridade, pelo que a Câmara Municipal de Loures não admite a ocupação indevida ou o incumprimento persistente”, acrescentou a autarquia.

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