
Lamego, Viseu, 01 mar 2024 (Lusa) — O presidente do Chega propôs-se hoje “recuperar a autoridade” das forças de segurança, defendendo que “as armas são para usar quando é preciso”, e voltou a comprometer-se com a equiparação do subsÃdio atribuÃdo à PolÃcia Judiciária.
O lÃder do Chega discursava num almoço/comÃcio em Lamego, distrito de Viseu, durante o qual aproveitou a localização do Centro de Tropas de Operações Especiais naquele concelho para dar o mote da sua intervenção.
André Ventura alegou que as “polÃcias perderam autoridade e capacidade de agir”.
“Hoje temos polÃcias com medo de usar as armas, medo de intervir quando estão em assaltos, quando estão a tentar parar rixas. Temos polÃcias que têm medo de agir porque sabem que o prejudicado ao fim do dia não vai ser o bandido, vai ser o polÃcia, com processos disciplinares, com perseguições e etc”, acrescentou.
“Eu vou empenhar-me a fundo na recuperação da autoridade das polÃcias. Precisam de andar na rua de cabeça erguida, de não ter medo de agir, de ir atrás de criminosos e, se for preciso, usar a arma, porque as armas são para se usar quando é preciso. E num estado de direito usar a arma tem de ser quando é preciso para impedir que um crime aconteça”, afirmou, sem especificar, no entanto, como será feito.
Uma das medidas do programa eleitoral do Chega passa por “rever o regulamento de uso da força e de recurso ao uso da arma de fogo”, mas não explica em que sentido.
“Nós precisamos de um compromisso no próximo governo com polÃcias, militares e bombeiros. Estes homens e mulheres que vestem a farda para nos servir merecem o nosso compromisso de que absolutamente nenhum ficará sem autoridade e sem subsÃdio de risco na próxima legislatura”, afirmou o presidente do Chega no discurso perante cerca de 130 pessoas.
André Ventura precisou que este compromisso seria “de dignificação, um compromisso vinculativo em como estes setores nunca mais poderão ser destruÃdos, abandonados, prejudicados e humilhados pelo Estado, pelos sucessivos governos”.
Ao argumentar que se tal não for feito, o paÃs corre o risco de “a breve trecho” ficar sem “Forças Armadas, sem forças policias e sem bombeiros”, Ventura defendeu que este é “o paÃs que a esquerda sem sonho, da anarquia saudável, em que não há lei nem há rei”.
Sustentando que “nos últimos anos militares e polÃcias perderam 23% de poder de compra” e que “as carreiras não são atrativas”, o presidente do Chega salientou que “Portugal não pode prescindir de militares, polÃcias e bombeiros motivados, satisfeitos e dignificados na sua profissão”.
Ventura acusou o governo de ser aquele “que pior tem tratado” estes setores porque “não gosta daqueles que usam farda”.
“O que fizeram à polÃcia este ano é um sinal bem claro do valor que eles lhe dão. Isto foi feito propositadamente para humilhar, para tirar dignidade, para ofender as forças policiais de quem eles não gostam”, criticou.
E voltou a prometer “equiparar o suplemento dado à PolÃcia Judiciária a todas as forças de segurança e aos guardas prisionais”, referindo ser “uma questão de justiça”.
“Não concebo um paÃs em que profissões que estão sentadas em escritórios têm direito a subsÃdio de risco e polÃcias, bombeiros e militares não têm, é o paÃs a dizer que não valem nada”, afirmou.
O Ministério da Administração Interna apontou que esta medida teria um custo de 154 milhões de euros.
Mais de 10,8 milhões de portugueses são chamados a votar em 10 de março para eleger 230 deputados à Assembleia da República.
A estas eleições concorrem 18 forças polÃticas, 15 partidos e três coligações.
Â
FM // JPS
Lusa/Fim



