
Lisboa, 01 nov 2026 (Lusa) — O presidente do Chega, André Ventura, afirmou hoje, após ter sido reeleito, que espera unidade interna e quer manter a linha de um “partido disruptivo” e “antissistema”, sem se colocar “debaixo do chapéu de ninguém”.
André Ventura falava em conferência de imprensa na sede do Chega, em Lisboa, na sequência da sua eleição como presidente do partido, com 98% dos votos, em diretas realizadas no sábado, às quais foi o único candidato à liderança.
Para o presidente do Chega, “este era um momento de redefinição, de continuidade ou de mudança e de transformação”, e o resultado com que foi reeleito representa um “reconhecimento do trabalho” e uma “relegitimação”.
Ao fim de sete anos de liderança, André Ventura descreveu o atual momento do partido como o de uma escolha entre “manter esta linha e este ADN em que se fundou” o Chega, de “partido disruptivo” e “antissistema”, ou “desvirtuá-lo, sair dele” e ser um dos partidos do sistema.
Em seguida, sustentou que o crescimento contínuo dos resultados do partido desde a sua fundação, em 2019, se deveu à opção por não ser “uma espécie de muleta do PSD” e não se ter colocado “debaixo do chapéu de ninguém”.
“Fizemos o nosso caminho e arriscámos”, disse.
“Essa foi uma escolha acertada porque o PSD mostrou desde a primeira hora que era um PS igual a outros PS e igual a outros PSD. Estivemos no caminho certo. Mas também nunca esquecemos que o PS era o outro dos nossos adversários”, acrescentou.
O presidente do Chega referiu os estudos de opinião que colocam o seu partido à frente do PSD, “em primeiro ou em segundo, a disputar o primeiro lugar”.
Numa intervenção de cerca de meia hora, André Ventura deixou uma mensagem para o interior do partido, a propósito da 7.ª Convenção Nacional do Chega, que está marcada para entre 20 e 22 de novembro, no Entroncamento, no distrito de Santarém.
“Temos que mostrar que somos aquilo que Sá Carneiro dizia em 74 do PSD. Diversos no que podemos ser diversos, unidos no que devemos ser unidos, incondicionais no essencial. Um partido capaz de ser diverso em muitas coisas, o partido mais português de Portugal”, declarou o presidente do Chega.
“Mas unidos e incondicionais no essencial, que é a capacidade de, em cada momento, nos unirmos para dar ao país a montra, o exemplo, a demonstração de que estamos prontos para governar”, reforçou.
André Ventura frisou a importância de, na próxima Convenção, o Chega mostrar que tem “uma ideia para o país” e que está preparado para assumir a governação.
“Não teremos, provavelmente nos próximos anos, uma segunda oportunidade”, considerou.
“Aqueles que nos tiverem a ver nessas horas e nesses dias de novembro vão estar a perguntar-se se este partido, com estes dirigentes, com estes homens e mulheres, estão ou não prontos para essa missão”, prosseguiu.
André Ventura reafirmou o objetivo de colocar o Chega no Governo e deu como certo que “todos os partidos, todos, lutarão para o evitar”, voltando a alegar que PS e PSD se preparam para formar um “bloco central” caso o seu partido vença futuras eleições legislativas.
“Nos próximos anos, provavelmente, teremos uma mudança profunda no coração da União Europeia, a começar em França, já em abril, mas também noutros países europeus”, anteviu, acrescentando: “O que eu espero é que Portugal seja um desses países europeus”.
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