Venezuelanos saem à rua em apoio a María Corina e para exigir presidenciais

Caracas, 23 out 2026 (Lusa) — Centenas de venezuelanos saíram às ruas de várias cidades da Venezuela, em apoio à líder da oposição María Corina Machado, para exigir a liberdade dos presos políticos e a marcação de eleições presidenciais no país.

“Venezuela não é só petróleo, somos gente que não desiste de lutar pelas suas liberdades, pela democracia. Têm que deixar entrar María Corina Machado e libertar todos os presos políticos”, disse uma manifestante na quinta-feira.

Com um cartaz a dizer “Eleições já e desta vez não nos vão roubar”, Francys Maldonado explicou à Lusa que, depois da operação militar norte-americana que em 03 de janeiro afastou Nicolás Maduro do poder, a situação no país “permanece difícil, confusa” sem as mudanças que esperava que os EUA impulsionassem.

“Donald Trump está em dívida [para] com os venezuelanos. Aqui não conta só o petróleo, ele tem que ‘pressionar, ordenar’ eleições, uma mudança de regime à democracia (…) os que no passado fizeram parte da repressão e da violação dos direitos humanos, não podem continuar a ter poder, a governar”, disse.

Maldonado explicou que, “nas primárias de 22 de outubro de 2023, os venezuelanos disseram que a sua líder era María Corina Machado e por isso votaram por ela”, recordando que a líder saiu clandestinamente da Venezuela em dezembro, para ir à Noruega receber o Prémio Nobel da Paz, e não conseguiu regressar ao país, apesar de já o ter tentado fazer.

Por outro lado, também do lado direito da fonte de Plaza Venezuela, Julio Garcia Soares, explicou à Lusa que “os venezuelanos não estão na disposição de esperar até 2028” para que haja eleições presidenciais.

“Constitucionalmente, já Delcy Rodríguez é ilegítima. O período de governação interina já acabou e a Venezuela tem que ter um presidente. Atualmente há um vazio do poder executivo e queremos um processo limpo e transparente, em que todos votem, inclusive os jovens e os que emigraram”, disse,.

Garcia Soares recordou que nos últimos anos, mais de sete milhões de venezuelanos abandonaram o país “fugindo da crise política, económica e social, e da repressão”.

Na concentração em Caracas estiveram vários luso-venezuelanos, alguns deles emocionados “pelo regresso dos opositores às ruas”, mas insistindo que “qualquer mudança efetiva no país irá demorar”, porque “a sociedade venezuelana ainda está muito dividida, ainda há muito ódio”.

“Enquanto as pessoas olharem umas para as outras com os olhos da ideologia política, com ódio, a Venezuela não avançará, não mudará”, disse um luso-venezuelano à Lusa.

As manifestações de quinta-feira foram convocadas para as principais cidades do país, com alguns internautas a queixarem-se nas redes sociais de que as autoridades estavam a provocar lentidão e a dificultar a circulação de viaturas com manifestantes em estradas, em localidades como Carúpano (leste).

Em Caracas, a oposição tinha convocado a concentração para a Torre Polar de Plaza Venezuela (centro-leste) mas uma contramarcha feita pelo ministro do Interior e Justiça, Diosdado Cabello, para assinalar o “mês rosa”, de prevenção contra o cancro da mama, obrigou a oposição a concentrar-se na Praça de El Rectorado, da Universidade Central da Venezuela e a marchar até à ponte que liga a instituição com a localidade de Plaza Venezuela.

A mudança de sítio teve como propósito evitar choques ou incidentes com participantes da outra marcha, explicaram vários manifestantes.

Aí se concentraram, exibindo cartazes com mensagens como “deixem entrar María Corina”, “ela é a líder da Venezuela”, “líder legítima”, “Caracas, pulso social”, “Vamos contigo” e “Liberdade para todos os presos políticos”.

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