
Albufeira, Faro, 03 jan 2026 (Lusa) — O candidato presidencial André Ventura desvalorizou hoje a possÃvel violação do direito internacional na captura do Presidente da Venezuela, considerando essa preocupação “conversa de chacha” por estar em causa a detenção de “um tirano”.
À margem de uma ação de pré-campanha em Albufeira, André Ventura congratulou-se com a captura do chefe de Estado venezuelano, Nicolás Maduro, num ataque realizado pelos Estados Unidos, desvalorizando que a ação possa ter acontecido ao arrepio do direito internacional.
“Mas como é que iria fazer ali uma intervenção em acordo com o direito internacional? Era você que lá ia?”, perguntou, dirigindo-se aos jornalistas, antes de entrar para um jantar-comÃcio.
André Ventura considerou que se tem de “parar com a conversa de chacha” sobre a possÃvel violção do direito internacional, quando em causa está a detenção de alguém que acusa de ser “um tirano, um sanguinário, um ditador, um torturador, um assassino”.
“Quando nós nos livramos de ditadores, de torturadores, de traficantes de droga, de narcotraficantes no mundo, isso é positivo, sejam eles chefes de Estado ou não”, vincou, considerando que é preciso celebrar que “um criminoso seja preso”, mesmo que isso aconteça ao arrepio do direito internacional.
O candidato presidencial reconheceu que preferiria que “fosse a própria justiça venezuelana a pôr fim ao regime de Nicolás Maduro”, mas salientou que, tal como noutras ditaduras no mundo, a justiça está sequestrada pelo poder polÃtico.
“O ideal é que fosse a justiça venezuelana, mas isso não foi possÃvel. Portanto, é bom que Nicolás Maduro seja preso. Nós temos que ter os ditadores presos”, frisou.
Nesse sentido, considerou que “o tempo da fraqueza acabou” para as democracias ocidentais, que têm de passar ao mundo a mensagem de que “o lugar do ditador é na prisão”.
Para o futuro, Ventura espera que Portugal e a Europa tenham um papel para “garantir que o destino da Venezuela é deixado aos venezuelanos”.
“São os venezuelanos que agora terão que escolher, em liberdade, qual é que é o seu futuro”, acrescentou, recordando que Portugal, tal como muitos outros paÃses, não reconheceu as eleições de 2024 que decorreram na Venezuela.
Em declarações aos jornalistas, Ventura salientou ainda a importância de se proteger a comunidade portuguesa na Venezuela, considerando que a Presidência da República e o Governo devem garantir “a segurança destes portugueses e destes lusodescendentes”.
Os Estados Unidos lançaram hoje “um ataque em grande escala contra a Venezuela”, para capturar e julgar o lÃder venezuelano, Nicolás Maduro, e a mulher, e anunciaram que vão governar o paÃs até se concluir uma transição de poder.
O anúncio foi feito pelo Presidente norte-americano, Donald Trump, horas depois do ataque contra Caracas, não sendo ainda claro quem vai dirigir o paÃs após a queda de Maduro, e admitiu uma segunda ofensiva contra o paÃs se for necessário.
O Governo venezuelano denunciou a “gravÃssima agressão militar” dos Estados Unidos e decretou o estado de exceção.
A comunidade internacional tem-se dividido entre a condenação aos Estados Unidos e saudações pela queda de Maduro e o secretário-geral da ONU, António Guterres, expressou a sua “profunda preocupação” com a recente “escalada de tensão na Venezuela”, alertando que a ação militar dos EUA poderá ter “implicações preocupantes” para a região.
JGA/ARL (PM) // PC
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