
Bruxelas, 06 jan 2021 (Lusa) — A União Europeia “lamenta profundamente” que a Assembleia Nacional da Venezuela tenha tomado posse na terça-feira, com base em “eleições não democráticas”, e insiste na necessidade de uma “solução polÃtica” para o atual impasse.
Um dia após os membros da nova Assembleia Nacional venezuelana terem sido empossados numa sessão solene, em Caracas, na sequência das eleições de 06 de dezembro que não foram reconhecidas pela oposição, o chefe da diplomacia da UE, Josep Borrell, emitiu hoje um comunicado, em nome dos 27, no qual lamenta que as eleições tenham mesmo sido celebradas apesar de não haver um “acordo nacional sobre as condições eleitorais”.
“A União Europeia considera que as eleições não respeitaram as normas internacionais para um processo credÃvel e para mobilizar o povo venezuelano a participar. A falta de pluralismo polÃtico e a forma como foram planeadas e executadas, incluindo a desqualificação dos lÃderes da oposição, não permitem à UE reconhecer este processo eleitoral como credÃvel, inclusivo ou transparente, nem que o seu resultado seja considerado representativo da vontade democrática do povo venezuelano”, aponta Borrell.
O Alto Representante da UE para a PolÃtica Externa reitera por isso que “a Venezuela necessita urgentemente de uma solução polÃtica para pôr fim ao atual impasse, através de um processo inclusivo de diálogo e negociação que conduza a processos credÃveis, inclusivos e democráticos, incluindo eleições locais, presidenciais e legislativas”.
“Nesse contexto, a UE manterá o seu compromisso com todos os atores polÃticos e da sociedade civil que lutam para trazer de volta a democracia à Venezuela, incluindo, em particular, Juan Guaidó e outros representantes da Assembleia Nacional cessante eleitos em 2015”, naquela que foi, sustenta o chefe da diplomacia europeia, “a última expressão livre dos venezuelanos num processo eleitoral”.
Na tomada de posse da nova Assembleia Nacional Venezuela, foram confirmados 256 deputados dos partidos pró-regime, 20 da oposição (desvinculada de Juan Guaidó) e um do Partido Comunista.
Também na terça-feira, e ao mesmo tempo que a Assembleia Nacional tomava posse, a oposição venezuelana realizou uma sessão parlamentar, conduzida de forma virtual, em que o lÃder opositor e autoproclamado Presidente interino da Venezuela, Juan Guaidó, jurou que o ‘parlamento’ liderado pela oposição continuaria em funções.
A oposição venezuelana, liderada por Juan Guaidó, não reconhece Nicolás Maduro como Presidente da Venezuela e denuncia alegadas irregularidades nas eleições presidenciais antecipadas de 2018, acusando o chefe de Estado de estar a “usurpar” o poder.
A Venezuela tem, desde janeiro de 2020, dois Parlamentos parcialmente reconhecidos, um de maioria opositora, liderado por Juan Guaidó, e um pró-regime do Presidente Nicolas Maduro, liderado por LuÃs Parra, que foi expulso do partido opositor Primeiro Justiça, mas que continua a afirmar ser da oposição.
A crise polÃtica, económica e social na Venezuela agravou-se desde janeiro de 2019, quando Guaidó jurou assumir as funções de Presidente interino do paÃs até afastar Nicolás Maduro do poder, convocar um governo de transição e eleições livres e democráticas.
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