
Genebra, SuÃça, 23 fev 2026 (Lusa) – O total dos bens venezuelanos congelados na SuÃça atingiu 687 milhões de francos suÃços (mais de 750 milhões de euros), indicou hoje o Ministério dos Negócios Estrangeiros suÃço, divulgando pela primeira vez tal valor.
A 05 de janeiro, entrou em vigor na Confederação Helvética a ordem de congelamento dos bens do ex-presidente venezuelano Nicolás Maduro e de pessoas a ele ligadas.
“Até à data, um total de 687 milhões de francos suÃços foi reportado pelos intermediários financeiros suÃços ao Gabinete de Relatórios sobre Branqueamento de Capitais”, na sequência dessa ordem, afirmou o ministério, sem especificar os nomes dos detentores dos ativos.
A mulher de Nicolás Maduro, a ex-congressista Cilia Flores, o seu cÃrculo próximo e ex-ministros são abrangidos pela medida.
“Trata-se de um congelamento preventivo. Visa impedir qualquer fuga de capitais e facilitar a entreajuda jurÃdica entre a Venezuela e a SuÃça. Nenhum membro do atual Governo foi incluÃdo na lista”, explicou o ministério.
Este congelamento vem complementar as sanções em vigor na SuÃça desde 2018 contra as autoridades venezuelanas, uma vez que Berna também adotou as sanções decididas pela União Europeia (UE).
Cerca de dois terços dos 687 milhões de francos suÃços (mais de 750 milhões de euros) tinham já sido congelados em resultado de processos criminais anteriores na SuÃça, precisou o ministério.
Com base na ordem de 05 de janeiro, foram congelados mais 239 milhões de francos suÃços (261,6 milhões de euros).
Nicolás Maduro e a mulher foram capturados a 03 de janeiro deste ano durante uma ofensiva militar norte-americana à Venezuela e transportados para os Estados Unidos para serem julgados.
Ambos aguardam julgamento por acusações de tráfico de droga e conspiração para “narcoterrorismo” em Nova Iorque, onde o ex-presidente venezuelano se declarou “prisioneiro de guerra”.
A sua vice-presidente, Delcy RodrÃguez, tomou as rédeas do poder, como Presidente interina, e procedeu a várias mudanças sob a pressão de Washington, adotando uma lei de amnistia para libertar os presos polÃticos e realizando uma reforma no setor petrolÃfero para o abrir a acionistas privados.
Ao congelar os bens venezuelanos, a SuÃça permite que as autoridades judiciais dos paÃses envolvidos apresentem um pedido de assistência jurÃdica mútua no âmbito das suas investigações criminais.
No entanto, continua a ser da responsabilidade das autoridades judiciais competentes do paÃs em questão iniciar os processos criminais necessários e comprovar a origem ilÃcita das verbas.
A ordem de congelamento de bens patrimoniais é válida por um perÃodo de quatro anos. Poderá ser prolongada pelo Governo suÃço, mas a duração máxima possÃvel do congelamento é de dez anos.
Em anteriores ocasiões, após distúrbios violentos e generalizados e a queda de vários lÃderes, o Governo suÃço levou a cabo, por exemplo, o congelamento preventivo de bens pertencentes ao antigo presidente tunisino Zine El Abidine Ben Ali e ao antigo chefe de Estado egÃpcio Hosni Mubarak.
Em março de 2025, a SuÃça aumentou também o congelamento dos bens do ex-presidente sÃrio Bashar al-Assad e do seu cÃrculo próximo.
ANC // EJ
Lusa/Fim



