
Caracas, 24 nov 2025 (Lusa) — O Comité pela Liberdade dos Presos PolÃticos (Clippve) denunciou no domingo que mais de 180 mulheres estão detidas por motivos polÃticos da Venezuela, sendo ainda vÃtimas de maus-tratos, isolamento, falta de assistência médica e assédio.
A denúncia foi feita no âmbito do Dia Internacional para a Eliminação da Violência contra as Mulheres – que se assinala na terça-feira – e no âmbito da campanha “Elas não estão sozinhas”.
“Levantamos a nossa voz para denunciar a violência institucional que elas enfrentam (…) Unimo-nos para dar visibilidade a mais de 180 mulheres que estão detidas por motivos polÃticos na Venezuela, vÃtimas de detenções arbitrárias, de violência institucional, tratamento cruel e represálias por pensar de forma diferente”, explica a Clippve na rede social X.
Na mesma rede social a Clippve nota que as mulheres estão detidas em condições de superlotação, sem o mÃnimo de dignidade, sem “acesso a cuidados ginecológicos nem a produtos para lidar com a menstruação”.
“A sua saúde é violada todos os dias nas prisões venezuelanas. A violência também é isso. O Estado venezuelano continua a falhar à s mulheres que vivem a injustiça da prisão e à s que esperam lá fora”, explica a Clippve, exigindo “respeito e liberdade”.
Ainda na X, a Clippve sublinha que a “única culpa” das mulheres “tem sido pensar de forma distinta” e que “ser mulher e presa polÃtica na Venezuela significa estar ainda mais exposta a abusos, a negligência médica, escassez de água, desnutrição e violência institucional”.
“As mães dos presos polÃticos também são vÃtimas: muitas denunciam que são obrigadas a despir-se antes das visitas, que são maltratadas e que veem recusados pacotes essenciais. A violência estende-se para além das paredes. Neste 25 de novembro, lembramos cada mulher que resiste numa cela injustamente, cada mãe humilhada num posto de controlo e cada famÃlia que espera por justiça”, afirma.
O Clippve diz ainda que “falar de presos polÃticos é também falar de mulheres: ativistas, mães, estudantes, defensoras e cidadãs que hoje sofrem condições desumanas” e sublinha que continuará a denunciar o que acontece até que sejam libertadas.
“A violência contra as mulheres também é cometida pelo Estado: detenções arbitrárias, torturas, desaparecimentos forçados e negação de assistência médica. Lembramos que a violência institucional também atinge as idosas, as doentes, as cuidadoras, as que já carregam dores profundas”, conclui.
Dados recentes, divulgados pela organização não-governamental Justiça, Encontro e Perdão (JEP), dão conta que na Venezuela estão detidas 1.080 pessoas por motivos polÃticos.
Entre os detidos, encontram-se 170 funcionários ativos de organismos de segurança do Estado, 11 ativistas, 224 representantes de organizações polÃticas, 35 antigos integrantes da segurança do Estado, 20 jornalistas e 14 sindicalistas.
“Há 145 pessoas das quais não se tem informação oficial sobre o seu paradeiro. Além disso, registamos 50 venezuelanos com dupla nacionalidade”, especifica ainda a organização.
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