
Playa Grande, Venezuela, 02 jul 2026 (Lusa) — Após mais de 75 horas de uma delicada operação de resgate, os elementos da Força Operacional Conjunta (FOCON) portuguesa celebraram o salvamento de Hernán Gil, e fizeram “um milagre” no meio da devastação.
A operação tinha de ser feita a “conta-gotas” e em contrarrelógio. Hernán Gil estava soterrado desde 24 de junho no que outrora foi um parque de estacionamento de uma galeria comercial.
O cidadão de Catia La Mar, vigilante daquele parque de estacionamento, conseguia “deitar-se e sentar-se”, de acordo com a informação que prestou durante a noite o comandante da FOCON, Hugo Santos, e os socorristas portugueses sabiam que a condição de saúde desta pessoa era no geral boa.
Mas todo o tempo é pouco quando todos os andares do edifÃcio que estava por cima exerciam pressão nas lajes onde ficou preso Hernán Gil.
Cerca das 02:30 locais da madrugada de hoje (07:00 em Lisboa), os elementos da Cruz Vermelha venezuelana anunciaram que estaria “para breve” a saÃda desta pessoa dos escombros.
Moradores que tudo perderam, que concentram colchas, édredons e até os sofás, à porta das tendas que dão um teto provisório e um pouco de conforto no meio do desalento, saÃram e aproximaram-se para ver “o milagre”, assim disse à agência Lusa uma moradora de Catia La Mar.
“É um milagre, já passaram tantos dias, já não devÃamos estar a encontrar sobreviventes”, sustentou a mulher, que está “a viver no campo de futebol aqui ao lado”.
No local, socorristas de vários paÃses, entre os quais os que estavam envolvidos nesta operação de resgate minuciosa, elementos da Cruz Vermelha venezuelana e jornalistas aguardavam pelo momento.
Todos estavam preparados para receber Hernán Gil e “os heróis portugueses”, como descreveu um morador, praticamente empoleirado na fita de segurança.
“Oxalá seja hoje, estes homens estão há dias a trabalhar sem interrupções, levam dias aqui”, comentou à Lusa Nieves, proprietário de uma casa que está em frente à galeria comercial devoluta e viu todo o aparato, desde que chegaram os portugueses para começar esta operação de resgate.
Pelas 06:00 locais (11:00 em Lisboa), Hugo Costa deu uma atualização: era necessário imobilizar Hernán Gil para poder retirá-lo em segurança. Além disso, era necessárias avaliações complementares para assegurar que este filho da terra e os socorristas saÃam em condições.
Do portão do estacionamento para o local onde estava Hernán Gil não eram mais de 70 metros, mas a jornada foi longa.
Três horas depois, chegou o momento. Eram cada vez mais os socorristas e jornalistas presentes. A história do resgate português já tinha corrido o mundo e os olhos estavam agora postos naquela entrada do estacionamento.
Saem os primeiros elementos da FOCON que acompanhavam o homem preso nos escombros, visivelmente emocionados e a bater palmas. Dois destes elementos da força portuguesa abraçam os companheiros chilenos e norte-americanos, agradecendo-se mutuamente. Cá fora já estava hasteada a bandeira de Portugal.
E chega o momento que todas as pessoas esperavam. Hernán Gil saiu acompanhado dos socorristas que nunca deixaram de o chamar e de lhe dar a esperança de que sairia daquele buraco que o engoliu uma semana antes.
A ambulância irrompe pela algazarra que se gerou, todos queriam captar o momento em que se concretizou “o milagre”.
No final, os elementos da FOCON juntaram-se para uma fotografia e em dia de jogo da seleção nacional, deste lado da América gritaram “Sim!”, aludindo à expressão popularizada pelo futebolista Cristiano Ronaldo.
“Eles já são os heróis daqui, é melhor do que ganhar a copa mundial”, disse um dos moradores à Lusa, visivelmente emocionado.
*** André Campos Ferrão, jornalista em serviço para a Lusa, em La Guaira ***
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