
Genebra, 12 jul 2019 (Lusa) — A Venezuela utilizou hoje o Conselho de Direitos Humanos da ONU, no último dia de três semanas de sessões, para atacar o relatório fortemente crÃtico do Governo venezuelano apresentado pela Alta comissária Michelle Bachelet neste organismo.
As acusações foram lidas pelo embaixador da Venezuela, Jorge Valero, e incluÃam excertos de uma carta dirigida pelo próprio Presidente Nicolás Maduro a Bachelet, a quem acusa de “não ter escutado a Venezuela” e de ter recolhido apenas informação transmitida por interesses contrários ao paÃs.
“Pode-se falar de ‘crise humanitária’ quando o Governo dos Estados Unidos despojou a Venezuela de 30 mil milhões de dólares dos seus ativos petrolÃferos no estrangeiro e bloqueou e confiscou mais de sete mil milhões de dólares para a compra de alimentos e medicamentos?”, questionou Maduro na sua missiva.
O relatório elaborado pelo gabinete de Bachelet na semana passada, para além de abordar a crise social e económica na Venezuela, também se refere a diversas infrações aos direitos civis e polÃticos.
O texto menciona em particular a “repressão e criminalização da oposição polÃtica” através de numerosas ações, assim como torturas e milhares de casos de execuções extrajudiciais.
O documento, solicitado pelo Conselho de Direitos Humanos a Bachelet, foi criticado por altos funcionários venezuelanos quando foi divulgado, mas agora o próprio lÃder do paÃs optou por transmitir o seu descontentamento à ex-Presidente do Chile.
Na sua carta, Maduro refere-se a “um relatório repleto de falsas informações, tergiversações e manipulações no uso de dados e de fontes; ausente de equilÃbrio e rigor, abertamente parcializado”.
“Apresenta um panorama distorcido da situação de direitos humanos no nosso paÃs”, disse o Presidente venezuelano.
“Saiba que a Venezuela vai prosseguir de pé, vitoriosa, e nenhum falso relatório, nenhuma agressão, poderá enfrentar a nossa férrea determinação”, acrescentou.
Bachelet visitou a Venezuela em junho após longas negociações entre o seu gabinete e Caracas para que fossem respeitadas as condições mÃnimas relativas à organização da sua agenda e a liberdade para se reunir com as pessoas que tinha selecionado.
Nesta missão, a Alta comissária reuniu-se com Maduro, e com o lÃder da oposição Juan Guaidó, reconhecido como Presidente interino por cerca de meia centena de paÃses, incluindo os EUA, e paÃses da União Europeia e da América Latina.
PCR // EL
Lusa/Fim



