
Praia, 18 fev (Lusa) — Os vendedores de Sucupira, o maior mercado cabo-verdiano, na capital, vão ser transferidos no final do ano para um edifÃcio com capacidade para mil comerciantes, anunciou hoje o deputado municipal Manuel Alves.
O autarca do MpD, partido que suporta o Governo em Cabo Verde, convocou os jornalistas para uma reação à s acusações da lÃder do Partido Africano da Independência de Cabo Verde (PAICV), na oposição, que recentemente apontou irregularidades na gestão da verba destinada à s obras do Mercado do Coco, na cidade da Praia, que deverá acolher os vendedores de Sucupira.
Depois de visitar as obras dessa infraestrutura, Janira Hopffer Almada referiu que o projeto para a construção do Mercado do Coco, iniciado em 2011 pelo atual primeiro-ministro, Ulisses Correia e Silva, que na altura era presidente da Câmara Municipal da Praia, tinha um orçamento de 333 milhões de escudos cabo-verdianos (cerca de três milhões de euros).
Passados nove anos, disse, citada pela agência de notÃcias cabo-verdiana, Inforpress, “as obras continuam na mesma e foram gastos e enterrados” mais de 450 milhões de escudos cabo-verdianos (cerca de quatro milhões de euros).
Manuel Alves recordou que a empreitada da construção do mercado/centro comercial da Praia foi inicialmente adjudicada pela autarquia à empresa Sogei, na sequência de concurso público, “tendo o respetivo contrato sido assinado a 08 de abril de 2011″, no valor de 330 milhões de escudos cabo-verdianos” (cerca de 2,9 milhões de euros).
“Deste montante, a Câmara Municipal da Praia (CMP) foi obrigada a pagar 110 milhões de escudos cabo-verdianos (995.046 euros) em imposto ao Governo, que negou isenção a essa obra, direcionada à s vendedeiras da Praia”, acrescentou.
Sobre um empréstimo contraÃdo pela autarquia, também visado nas crÃticas da lÃder da oposição, o deputado municipal do MpD referiu que este, no valor de 450 milhões de escudos cabo-verdianos (cerca de quatro milhões de euros), visou “o saneamento financeiro da câmara” e a construção do mercado.
No decorrer da obra “foram identificados problemas e constrangimentos que impediram a sua prossecução nos termos concebidos” e “as partes resolveram por consenso o contrato de empreitada”.
A autarquia solicitou, entretanto, ajuda ao Governo e “obteve o compromisso de financiamento para, num novo prazo de um ano, terminar a obra”, disse.
Em virtude deste apoio, o projeto será reformulado e a obra vai recomeçar.
O deputado explicou ainda aos jornalistas que uma das razões para a obra ter estado parada foi “a natureza do terreno” que obrigou a “alterações nas fundações”.
Segundo as previsões da autarquia da capital cabo-verdiana, as obras estarão concluÃdas até ao final deste ano, altura em que cerca de mil vendedores do mercado de Sucupira começarão a ser transferidos para a nova superfÃcie comercial, que terá uma série de outros serviços como agências bancárias, agências de seguros, parque infantil, bombeiros.
O destino do espaço onde está hoje instalado o mercado de Sucupira já foi traçado, mas o autarca não quis avançar o que está planeado para aquele local, remetendo para mais tarde o anúncio do projeto.
O mercado de Sucupira é o maior e mais famoso de Cabo Verde. Nele se encontram todos os tipos de produtos: roupa nova e usada, louças e acessórios, produtos de higiene, frutas e legumes, alimentos confecionados.
Funciona todos os dias e ao fim de semana a sua dimensão é consideravelmente maior, com os vendedores, sobretudo mulheres, a ocuparem parte de uma das principais ruas da capital.
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