
Oslo, 11 jul 2025 (Lusa) – A laureada com o prémio Nobel da Paz Narges Mohammadi queixou-se de ser ameaçada, direta e indiretamente, de morte pelas autoridades do Irão, declarou hoje o Comité Nobel após conversa telefónica com a iraniana.
O presidente do Comité Nobel, Jorgen Watne Frydnes, recebeu um “telefonema urgente” de Narges Mohammadi, que o informou sobre as ameaças que recebeu, sublinhou um comunicado divulgado pelo Comité.
“A mensagem é clara. Segundo as suas próprias palavras [de Narges Mohammadi], foi ‘direta e indiretamente ameaçada’ de ‘eliminação fÃsica’ por agentes do regime” iraniano, segundo a nota.
Estas ameaças “demonstram claramente que a sua segurança está em risco, a menos que ela se comprometa a terminar todo o envolvimento público no Irão” e “todas as aparições nos meios de comunicação”, acrescentou o comunicado.
Narges Mohammadi está em liberdade provisória desde dezembro por motivos médicos. A iraniana recebeu o prémio Nobel da Paz em 2023 pela “sua luta contra a opressão das mulheres no Irão e pela promoção dos direitos humanos”.
O Comité Nobel norueguês declarou-se “profundamente preocupado com as ameaças contra Narges Mohammadi e, de um modo mais geral, contra todos os cidadãos iranianos que se manifestam criticamente, apelando à s autoridades para que protejam não só as suas vidas, mas também a sua liberdade de expressão”, afirmou o seu presidente.
A advogada da famÃlia e da fundação Narges Mohammadi, Chirinne Ardakani, também denunciou as ameaças recebidas pela laureada Nobel num comunicado à agência de notÃcias France-Presse (AFP).
“Estas ameaças de assassinato e desaparecimento forçado foram feitas através de vários canais: diretamente à própria Narges Mohammadi, mas também através de vários dos seus familiares, a quem foi pedido que lhe transmitisse estas ameaças”, acrescentou a advogada.
Condenada e presa inúmeras vezes nos últimos 25 anos pelo seu ativismo contra o véu obrigatório para as mulheres e a pena de morte, Narges Mohammadi permaneceu presa durante grande parte da última década.
Até à sua libertação provisória, no inÃcio de dezembro, permaneceu encarcerada na prisão de Evin, em Teerão.
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