
Lisboa, 01 abr 2026 (Lusa) — O presidente do Sporting, Frederico Varandas, lamentou hoje o “silêncio total” e a proteção das instituições desportivas aos três ‘grandes’, após uma reunião com o Governo sobre os incidentes no clássico de andebol com o FC Porto.
“Desde novembro, constatei um silêncio total. O Sporting não tem problemas com nenhum clube, mas o que acontece é que um clube tem tido um ‘modus operandi’ nos últimos cinco meses, com uma atitude desportiva miserável. O Sporting reage como tem de reagir. Quem me dera a mim não ter de intervir, mas se o presidente do Sporting não fala, quem é que fala?”, indagou, em declarações aos jornalistas.
Frederico Varandas falou à saída da reunião com a ministra da Cultura, Juventude e Desporto, Margarida Balseiro Lopes, o secretário de Estado do Desporto, Pedro Dias, e o presidente da Federação de Andebol de Portugal (FAP), Miguel Laranjeiro.
“O tema foi muito além do episódio que se passou no andebol. Desde novembro, houve vários acontecimentos a manchar a imagem do desporto nacional. Uma das razões para esta reunião foi para apelar ao topo da pirâmide que, abaixo, há presidentes da Federação Portuguesa de Futebol (FPF) e Liga de clubes (LPFP), que não poderão ter o objetivo de se dar bem com os ‘grandes'”, disse Varandas.
Nesse âmbito, o presidente sportinguista lamentou que, em Portugal, “não se toca nos ‘grandes'” e se “finge que não acontece nada”, tendo aproveitado a reunião para apresentar cinco casos, relacionados com o árbitro Fábio Veríssimo, o roubo de toalhas ao guarda-redes Rui Silva, o desaparecimento de bolas durante um jogo, a colocação de colunas para ‘abafar’ cânticos sportinguistas e o cheiro no balneário do Sporting no clássico de andebol na Dragão Arena, com a assistência médica a dois elementos ‘leoninos’.
“Há um mundo que me separa do atual presidente do FC Porto, mas teremos uma coisa em comum: Ambos somos presidentes e temos de tomar muitas decisões ao longo do dia. Umas são corretas, outras mais ou menos e outras erradas, mas, quando chego a casa, tenho a consciência tranquila de que não traí os valores do Sporting, não envergonhei os sócios e, sobretudo, quem educo em casa”, vincou.
Varandas subscreveu uma frase do treinador de futebol do FC Porto, Francesco Farioli, que disse que “não é por falar em ética que estamos no topo da ética”, mas acusou os ‘dragões’ de fazer “o contrário do que dizem” e mostrar “falta de ética”.
“Em Alvalade, quando o Sporting estava a ganhar 1-0, a equipa do senhor Farioli teve as bolas todas para serem repostas, o Diogo Costa tinha lá as suas toalhas quando precisava, os adeptos do FC Porto não levaram com colunas e o árbitro do jogo não levou com vídeos de jogos dos infantis para condicionar”, atirou também.
O presidente do Sporting foi hoje recebido por Balseiro Lopes, que, de seguida também reuniu com o líder do FC Porto, André Villas-Boas, sobre os incidentes ocorridos no jogo da primeira jornada da fase de apuramento de campeão nacional de andebol, entretanto alvo de um inquérito por parte do Ministério Público (MP).
Os ‘leões’ acusaram os ‘dragões’ de “práticas obscuras”, após elementos da equipa de andebol ‘verde e branca’ terem recebido assistência médica no sábado, no Dragão Arena, no Porto, antes da vitória dos bicampeões nacionais sobre o FC Porto (33-30), no arranque da segunda fase do campeonato.
O jogo iniciou-se com cerca de 15 minutos de atraso, depois de a equipa visitante se ter queixado de um odor intenso no seu balneário, que levou o treinador Ricardo Costa e o jogador congolês Christian Moga a serem assistidos no local.
O FC Porto desmentiu a situação e considerou, ainda no sábado, como “graves e abusivas” as acusações dos ‘leões’, referindo ter contactado a PSP para verificação das condições no pavilhão do clube ‘azul e branco’.
A direção da Federação de Andebol de Portugal (FAP) efetuou uma participação ao Conselho de Disciplina (CD) para o apuramento de responsabilidades disciplinares aos incidentes verificados no clássico, que reforçou a liderança isolada do Sporting a cinco jornadas do fim da prova.
Os ‘leões’ somam por vitórias os 23 jogos disputados e comandam com 36 pontos – foram reduzidos a metade no fim da primeira fase -, contra 32 do Benfica, segundo classificado, 31 do FC Porto, terceiro, e 26 do Águas Santas, quarto.
Além dos incidentes relatados pelo Sporting, o diretor-geral das modalidades do FC Porto, Mário Santos, acusou o jogador ‘leonino’ Martim Costa de ter agredido um adepto dos ‘dragões’ ainda no período de aquecimento para o jogo.
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