Utentes gastaram mais de 571 ME com medicamentos nos primeiros sete meses do ano

Lisboa, 15 set 2026 (Lusa) — Os portugueses gastaram mais de 571 milhões de euros com a compra de medicamentos nas farmácias nos primeiros sete meses deste ano, o que representou um aumento de 11,7 milhões em relação ao mesmo período de 2025.

De acordo com o relatório de monitorização da despesa com medicamentos em ambulatório da Autoridade Nacional do Medicamento (Infarmed), hoje consultado pela Lusa, os encargos dos utentes tiveram um aumento homólogo de 2,1% nesse período.

A despesa média de cada utente foi de 4,70 euros por medicamento, tendo sido dispensadas quase 162 milhões de embalagens entre janeiro e julho deste ano, mais três milhões do que nos primeiros sete meses do último ano.

O documento indica ainda que a despesa do SNS com a comparticipação de medicamentos em ambulatório ascendeu a mais de 1.179 milhões de euros, um aumento de quase 90 milhões face ao período de janeiro e julho de 2025.

O encargo médio por embalagem para o SNS foi de 9,70 euros, ou seja, mais do dobro do que o valor suportado pelos utentes.

Em 2026, verificou-se um aumento de 0,37 euros do custo médio por embalagem face a 2025, refere ainda o Infarmed, que aponta os antidiabéticos como a classe terapêutica com maiores encargos entre janeiro e julho, representando uma despesa de 305 milhões de euros para o serviço público de saúde, o equivale a um aumento homólogo de 11,5%.

O semaglutido, a substância ativa de medicamentos antidiabéticos também utilizados para a perda de peso, foi mesmo o que registou o maior aumento de despesa nos primeiros sete meses deste ano para o SNS, representando um encargo para superior a 42 milhões de euros, mais cerca de 15 milhões do que no mesmo período de 2025.

O relatório indica também que mais de metade das unidades dispensadas corresponderam a medicamentos genéricos, que atingiram uma quota de mercado de 50,5%, depois de terem chegado aos 52,2% em anos recentes.

O Infarmed salientou que valores apresentados nesse relatório não refletem a totalidade das contribuições resultantes da implementação do acordo entre o Governo e a Associação Portuguesa da Indústria Farmacêutica e dos contratos de financiamento.

Na prática, ao valor total dos gastos do serviço público com medicamentos, serão deduzidas as contribuições e devoluções ao SNS por parte da indústria farmacêutica.

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