
Torres Novas, Santarém, 12 nov 2021 (Lusa) — A Comissão de Utentes da Saúde do Médio Tejo (CUSMT) tem a circular um abaixo-assinado que reivindica mais recursos humanos, consultórios de dentistas, recuperação de consultas e cirurgias em atraso e funcionamento das extensões de saúde da região.
Manuel José Soares, porta-voz da CUSMT, disse à Lusa que essas são algumas das muitas questões colocadas pelos utentes e que voltaram a ser discutidas na reunião realizada ao final do dia de quinta-feira, em Torres Novas (Santarém), com a coordenação do Agrupamento de Centros de Saúde (ACES) do Médio Tejo.
O abaixo-assinado, que foi colocado em 160 pontos de recolha, onde pode ser subscrito pelos cidadãos, considera “urgente” a colocação de mais recursos humanos (médicos, enfermeiros, assistentes técnicos e operacionais) nos centros de saúde e hospitais.
Reclama a concretização da há muito prometida criação dos consultórios de dentista nos centros de saúde, pede a recuperação de consultas e cirurgias em atraso nos centros de saúde e hospitais e a reabertura e funcionamento regular das extensões de saúde, salientando Manuel Soares que, no concelho de Vila Nova da Barquinha, estas não funcionam “há 14 meses”.
O texto reivindica, ainda, a requalificação da Urgência da unidade de Abrantes do Centro Hospitalar do Médio Tejo (CHMT) e de outras unidades de saúde e alerta para a necessidade de ser dada “mais atenção à informação/comunicação com utentes e familiares” e para a importância da articulação entre Centros de Saúde, Hospitais e outras unidades de saúde.
Salientando que a preocupação da CUSMT é encontrar “caminhos para resolver” as situações que dificultam o acesso das populações a cuidados de saúde “de qualidade e proximidade”, Manuel Soares frisou a importância dos Conselhos da Comunidade, que integram representantes de todos os órgãos autárquicos, das unidades de saúde e de outras instituições, para uma análise global e a procura de soluções.
No caso do Médio Tejo, o Conselho da Comunidade irá reunir no próximo dia 30, apelando a CUSMT a que haja uma análise “fina” à dificuldade na contratação de recursos humanos, não se ficando pelo argumento salarial, mas percebendo se não existem outros fatores, como as condições de trabalho ou as distâncias em relação à s famÃlias, que pesam na ausência de candidatos aos concursos, disse o porta-voz da comissão.
Por outro lado, a CUSMT defende uma abordagem alargada ao conceito de saúde pública, que considere outros fatores que interferem com o Serviço Nacional de Saúde (SNS), como acontece com a segurança rodoviária, dando como exemplo dessas implicações o acidente rodoviário ocorrido na madrugada de quinta-feira, em Abrantes, com dois mortos e cinco feridos graves, e que obrigou à mobilização de vários recursos.
Lembrando que os municÃpios vão assumir, no segundo trimestre de 2022, competências delegadas na área da saúde pública, Manuel Soares apelou a que não sejam descuradas questões como as condições de segurança na circulação.
Segundo a CUSMT, as autarquias podem ainda ter um papel facilitador na acessibilidade à informação, dada a incapacidade que os serviços de saúde têm revelado no atendimento de telefones, o que provoca muitos “transtornos” e afeta aquela que é “a primeira imagem do SNS”.
Salientando que os dados recolhidos junto de utentes revelam elevada satisfação com a relação estabelecida por email, Manuel Soares apelou a que haja maior divulgação dos Balcões SNS 24, que podem ser disponibilizados nas juntas de freguesia para utentes “infoexcluÃdos”.
Por outro lado, apelou a uma maior atenção à informação e comunicação com familiares e utentes quando estes entram numa unidade de saúde, referindo a enorme dificuldade em ser obtida informação por telefone e sugerindo a existência de uma intermediação por alguém das Relações Públicas, a exemplo do que acontece nas Urgências no Porto.
A CUSMT e o ACES do Médio Tejo têm nova reunião agendada para 07 de dezembro, na qual será, nomeadamente, analisada a informação de que há três médicos a aguardar aposentação e, também, questionado o que se passou com o projeto EVA, em Torres Novas, anunciado no final de maio, e que prometia um médico, um enfermeiro e um farmacêutico para acompanhar a população idosa do concelho com problemas cardiovasculares.
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