
Sydney, 26 ago 2026 (Lusa) – A utilização das redes sociais entre os menores de 16 anos na Austrália recuperou após a proibição, introduzida em dezembro, para esta faixa etária, segundo dados de uma aplicação de controlo parental, divulgados hoje.
O tráfego entre este grupo demográfico tinha caÃdo a pique quando a legislação inovadora entrou em vigor , desencadeando iniciativas semelhantes em França, no Reino Unido e noutros paÃses.
Mas, desde então, o uso recuperou, por vezes até ultrapassando os nÃveis anteriores à proibição, de acordo com dados da aplicação Qustodio.
Por exemplo, 11,36% das crianças dos 10 aos 12 anos utilizavam a plataforma de vÃdeos curtos TikTok em julho de 2026, mais do que em novembro de 2025 (10,73%) e apenas um pouco menos do que em dezembro de 2025 (11,42%).
Entre os jovens dos 13 aos 15 anos, 25,96% ainda utilizavam o TikTok, cerca de 1% menos do que pouco antes da proibição. A tendência também está em alta nas redes sociais Snapchat e Instagram.
“Eles podem aceder a estas plataformas através de VPNs ou falsificar a idade”, explicou Yasmin London, especialista em segurança online da Qustodio, em comunicado.
Uma rede privada virtual, conhecida como VPN (sigla em inglês), permite ocultar ou modificar a localização do utilizador.
Mas as restrições também podem simplesmente “não funcionar”, alertou London.
Os dados da empresa mostraram uma migração significativa de menores de 16 anos para o WhatsApp, uma aplicação de mensagens não afetada pela lei.
A Qustodio analisou dados mensais anonimizados sobre a utilização das redes sociais — mais de cinco minutos consecutivos num determinado mês — nesta faixa etária para produzir as estatÃsticas.
A Austrália tornou-se em 10 de dezembro o primeiro paÃs no mundo a proibir as redes sociais para crianças, a fim de as proteger dos efeitos nocivos para a saúde mental.
No final de março, o regulador da Internet australiano anunciou uma investigação que visa gigantes da tecnologia, entre os quais TikTok, Instagram e YouTube, acusados de violar a proibição.
As empresas visadas pela proibição estão sujeitas a multas que podem ultrapassar 25 milhões de euros.
Embora vários estudos comprovem os efeitos negativos do tempo excessivo passado ‘online’, em junho, uma equipa de investigadores da Austrália publicou um estudo que questiona a eficácia da proibição.
A maioria das tecnológicas comprometeu-se a respeitar a lei, mas alertou que esta poderá empurrar os adolescentes para plataformas menos regulamentadas e mais perigosas.
Os primeiros resultados da medida “sugerem que esta não está a atingir os objetivos de melhorar a segurança e o bem-estar dos jovens australianos”, argumentou a Meta, em janeiro.
A detentora do Facebook e Instagram refere ainda que pais e especialistas estão preocupados com o facto de os jovens ficarem isolados das comunidades online.
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