
Lisboa, 01 jun 2022 (Lusa) — O presidente da UNITA disse hoje quer apresentar na próxima semana a lista de candidatos à s eleições de agosto, uma escolha que devera refletir “a pluralidade que [o partido] tem estado a partilhar com a sociedade civil”.
Falando numa videoconferência com jornalistas, Adalberto da Costa Júnior disse que a União Nacional para a Independência Total de Angola (UNITA) vai avançar com um amplo acordo com outros partidos polÃticos e a sociedade civil. Faltam ainda alguns passos. Talvez na próxima semana teremos toda esta formatação concluÃda”.
O lÃder da UNITA, que se encontra em Roterdão a participar no congresso do Partido Popular Europeu, acrescentou, “sem abrir formalmente o jogo”, que o seu partido vai ter “nas listas a pluralidade que tem estado a partilhar com a sociedade civil”, dias depois de o Tribunal Constitucional ter informado que não iria permitir a coligação das principais forças da oposição, a Frente Patriótica Unida (FPU), que juntaria o partido do ‘Galo Negro’, o Bloco Democrático e o movimento liderado por Abel Chivukuvuku.
Questionado sobre o anúncio saÃdo da última reunião do Comité Central do MPLA, partido no poder em Angola desde a independência, em 1974, sobre a lista de candidatos a deputados e que coloca pela primeira vez uma mulher, Esperança Maria Eduardo Francisco da Costa, atual secretária de Estado das Pescas, diretora do Centro de Botânica da Universidade Agostinho Neto como candidata a vice-presidente da República, Adalberto da Costa Júnior limitou-se a dizer que “no plano formal ainda não há nenhuma candidatura”.
“A UNITA vai à s eleições com o seu nome e os seus sÃmbolos. Temos um acordo com outras forças polÃticas mas não é uma coligação”, acrescentou.
Adalberto da Costa Júnior reiterou no encontro com os jornalistas as crÃticas que tem dirigido ao MPLA, designadamente a João Lourenço, lÃder do partido no poder, que acusou de manter a mesma lógica de funcionamento que herdou de José Eduardo dos Santos.
“Temos um sistema polÃtico que é unipessoal, que se caracteriza pela interferência desavergonhada do poder polÃtico sobre o poder judicial. Não há independência judicial”, acusou.
“Pensávamos que com a saÃda de José Eduardo dos Santos haveria uma abertura e transparência e com João Lourenço acentuaram-se os tiques autoritários. De José Eduardo dos Santos para João Lourenço não mudou nada na luta contra a corrupção”, vincou.
“Mudou o Presidente mas não mudaram as elites. João Lourenço promove a corrupção a governação a qualquer preço”, continuou.
Relativamente à s sondagens que têm vindo a ser divulgadas, o lÃder da UNITA disse que o seu partido encomendou uma, “com mais de 100 itens”, que está a ser “extremamente interessante” e que vai agora ser atualizada.
“Tenho condições para ser o próximo Presidente de Angola”, frisou, embora reconheça que “não há vitórias antecipadas”.
O retrato que traçou de Angola mostra, acusa, “uma comunicação social (estatal) cada vez mais instrumentalizada, em que não há o direito ao contraditório”.
“Demonstra que o MPLA está assustado”, disse.
No plano da economia, o lÃder da UNITA afirmou “não querer ser extremista e dizer que não se fez coisÃssima nenhuma”, mas, lamenta, Angola tem 20 anos de paz “e as grandes reformas não foram feitas”.
Adalberto da Costa Júnior criticou ainda o atual programa de privatizações, considerando que o paÃs “não tem uma economia de mercado, porque o atual governo constrói monopólios e mata diretamente a competição”.
As privatizações “estão a ser feitas de forma negativa para o interesse nacional. Concorrem somente as mesmas quatro ou cinco empresas que recebem financiamentos públicos”, disse.
Entre as grandes reformas que se propõe fazer caso vença as eleições, Adalberto da Costa Júnior elegeu a revisão da Constituição, que acabe com a eleição indireta do Presidente da República.
“Impõe-se uma reforma do Estado. A despartidarização do Estado”, defendeu e avançou que a UNITA tem estado a contactar as instituições e o próprio MPLA “para que seja assegurada uma transição pacÃfica de poder”.
Questionado se as eleições de agosto estão a ser organizadas como deve ser e se serão justas, o lÃder da UNITA acusou o governo do MPLA de já ter demonstrado que não, mas rejeitou que possam registar-se tumultos nas ruas a seguir à s eleições.
“Ninguém mais tem armas”, frisou.
EL // PJA
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